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Vários colégios de Salvador têm atributos para ser tombados

NacionalNotícias • 12 de outubro de 2008 por Silvana Losekann

Diante da notícia do tombamento estadual provisório do Colégio Marista, dado semana passada, Nelson Calazans, superintendente regional da Queiroz Galvão, incorporadora que comprou o imóvel, garantiu que reage com tranqüilidade. “Esse é um assunto que diz respeito aos moradores, ao Ipac (Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural) e ao Marista. Nós vamos aguardar e preferimos não nos manifestar. Esperamos o processo e a definição do Ipac. Por enquanto, é um tombamento provisório”, afirmou.

As parcelas de pagamento pela compra ainda estão sendo cumpridas, e, segundo Calazans, o contrato está legalmente formalizado. O novo proprietário ainda não tem qualquer alvará que lhe possibilita construir no local, nem sequer o documento AOP (análise de orientação prévia), relativo ao terreno.

O executivo disse que o Marista foi comprado porque o Canela é uma excelente área em um bairro nobre e que “no momento existem poucos lançamentos imobiliários nessa região”. Calazans disse que em Pernambuco (sede da incorporadora) existe patrimônio cultural como aqui e que a empresa “não tem sido submetida a essa contenda”. A Queiroz Galvão é uma das cinco maiores construtoras do País, é do porte da Camargo Corrêa, tem ramificações na siderurgia, construção naval e infra-estrutura, além de concessões públicas de estradas.

Em Salvador, onde está há 30 anos, acaba de lançar o edifício de apartamentos Splendor Reserva do Horto, totalmente vendido. O grupo familiar também tem empreendimentos na Europa, América do Norte e África.

O ex-presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi) Luiz Augusto Amoedo, acha que o proprietário deve ter o direito de vender o que é particular. “É uma coisa privada. E se alguém comprou (o Marista) é porque vale. Todo mundo tem o direito de vender o que é seu. Acho injusto você querer penalizar o proprietário. Se for assim, ninguém mais vai poder vender nada. Isso só acontece na Bahia”, defendeu Luiz Amoedo, ex-aluno do Colégio Militar, na Pituba.

Ele diz que isso vem acontecendo e que é um abuso e um desrespeito às leis. “Ficam brincando de tombar, e, depois, quem cuida? Ficam aí o Pelourinho, a Ladeira da Montanha. É uma irresponsabilidade ficar com essa coisa podre e velha na cidade. Os prédios estão todos caindo, com risco de desabar na cabeça das pessoas. Quem vai indenizar? O Ipac, o Iphan? Em Pituaçu, uma escultura caiu e quase mata uma pessoa. Quem é o responsável?”.

Agora que a discussão se amplia para outras instituições educacionais que têm grandes terrenos com localização valorizada na cidade, o gerente de pesquisa e legislação patrimonial e de patrimônio intangível do Ipac,Mateus Torres, explica: “No caso do Marista, é uma aspiração clara da sociedade, e o valor imaterial deve ser bastante considerado. Os estudos que constarão do dossiê do processo de tombamento deverão ir além do mérito arquitetônico”.

Outros – Torres disse que outros prédios de escolas têm a mesma possibilidade do Colégio Marista, desde que tenham o reconhecimento da sociedade. “Agora, nós devemos evitar essas medidas emergenciais. Os tombamentos precisam ser planejados e bem fundamentados para que possamos ser efetivos nas ações de salvaguarda”, expôs.

Sob o aspecto da construção material, a proteção torna-se técnica e administrativamente possível se o imóvel é tombado ou estiver sob notificação de tombamento, que é um mecanismo legal contra adulteração e demolição. Nem sempre a idade de um prédio lhe confere importância.

Mas há casos em que o imóvel é antigo e com mérito reconhecido, como o Colégio Ipiranga, que, apesar de situado em uma área que se valoriza, seu edifício do século XIX não poderá ser derrubado, alterado ou ter a sua visibilidade afetada por uma outra edificação ou objeto.

Proteção – O imóvel pode ser antigo ou mesmo moderno e com valor arquitetônico e no entanto estar desprotegido, como é o caso do Colégio Central e do Instituto de Educação Isaías Alves, o Iceia, que o Docomomo (ONG internacional) quer tombar. Este tem pilotis e curvas projetados pelo arquiteto Diógenes Rebouças, que é autor de obras como a Fonte Nova, escolas de Arquitetura e Politécnica, avenidas Contorno e Centenário (reformada sem que a concepção dele fosse considerada).

O Colégio 2 de Julho é protegido por ter como dependência o Solar Conde dos Arcos, tombado nacionalmente. Este ano, o reitor da Ufba, Naomar Almeida, anunciou pedido de tombamento de seis unidades, quase todas ameaçadas pela especulação imobiliária.

A reflexão sobre mecanismos de proteção se expande para outros colégios de Salvador, alguns  com edificações de valor artístico, histórico e cultural

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Fonte: A Tarde On Line

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