Um caso de amor com a comunidade faz 15 anos

Aqueles que acompanham a história a distância talvez não compreendam as razões que mantêm viva a parceria do museu de Venâncio Aires com a comunidade. Nesta segunda-feira, dia do aniversário da casa histórica, essa relação de cumplicidade celebra conquistas e relembra episódios emblemáticos ocorridos nesses 15 anos de união. Por isso, a direção do Núcleo de Cultura de Venâncio Aires (Nucva) convida os responsáveis pela criação do espaço museológico para usufruírem, justamente, destas dependências.
O presidente do Nucva, Flávio Seibt, comenta que não haverá grandes produções, pois o período não permite investimentos. Mas garante a mobilização dos funcionários. Nesta segunda, um grupo de pessoas fará intervenções ao ar livre, defronte da casa, convidando a comunidade a prestigiar as exposições e as preciosidades do museu. No interior estão expostos documentos, materiais e reportagens sobre a conquista do prédio Storck, graças às doações da comunidade, e a consequente criação do espaço histórico.
Nesses 15 anos de existência, o museu alcançou status internacional com participações memoráveis em congressos e conferências. Há dois anos, a região pode acompanhar os principais momentos da história da casa na mostra O Museu de Venâncio Aires conta a sua história, lançada no dia do seu aniversário. Na oportunidade, o resgate da criação e trajetória de um dos ambientes com objetos antigos melhor organizados no País dimensiou o patrimônio venâncio-airense para o Vale do Rio Pardo e Taquari.
Na Casa de Cultura no Edifício Storck, o museu divide espaço com o arquivo histórico e a biblioteca. Juntos, os ambientes constituem o trabalho da organização não governamental (ONG) Nucva, voltada para a preservação do patrimônio arquitetônico e cultural. Um dos projetos em execução, orientado pela entidade, é a reconstituição da história do chimarrão e seus costumes, com a intenção de elevar a bebida-símbolo dos gaúchos ao título de Patrimônio Imaterial do Brasil. O Nucva também esteve à frente da restauração da Igreja de Santo Amaro do Sul, em General Câmara.
Dia Municipal
O presidente da entidade, Flávio Seibt, explica que a verdadeira razão para a existência do núcleo é a defesa do patrimônio arquitetônico, cultural e histórico, em especial em Venâncio Aires. No dia 17 de julho deste ano, no entanto, a comunidade permitiu que um prédio antigo na Rua Júlio de Castilhos, no Centro, fosse demolido. “Fomos passivos; aceitamos a destruição de parte da nossa história”, lamenta Seibt. Conhecido por Castelinho, a construção formava com a Igreja Matriz São Sebastião Mártir e o Edifício Storck o conjunto dos três prédios mais belos e importantes na arquitetura diferenciada da cidade.
E para que a comunidade venâncio-airense se comprometa com a preservação dos prédios antigos, que estão sendo mapeados, a Câmara de Vereadores instituiu a data de 17 de julho como o Dia Municipal da Preservação da Cultura e do Patrimônio Histórico de Venâncio Aires. De autoria do parlamentar Telmo Kist (PDT), a proposta encontrou na queda do Castelinho o marco para os trabalhos de preservação e educação patrimonial.







