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No local onde funcionava a Casa de Detenção do Carandiru, na Zona Norte de São Paulo, será inaugurada nesta segunda-feira (8) a Biblioteca de São Paulo. A abertura ao público será na terça.
Com pufes coloridos e poltronas confortáveis, o novo espaço cultural, que ocupa um pavilhão de 4.257 m2, foge do estereótipo da biblioteca pública com ar austero e lembra mais uma livraria moderna de grande rede.
A inauguração marca a etapa final da mudança do lugar que chegou a ser o maior presídio da América Latina, com cerca de 8.000 presos e foco de constantes rebeliões e fugas. A transformação começou em 2002, quando os primeiros pavilhões com as celas foram implodidos e deram origem, anos depois, ao Parque da Juventude. Dos sete pavilhões originais, somente dois foram mantidos e, depois de reformados, passaram a abrigar uma escola técnica.
“É com muita alegria que vamos ocupar esse lugar de tão triste memória”, afirma o secretário estadual de Cultura, João Sayad.
A biblioteca foi pensada com o objetivo de incentivar a leitura e será um centro de treinamento para todas as bibliotecas municipais que existem no estado de São Paulo.
“O frequentador vai encontrar os livros expostos pela capa, sem pretensão didática ou de erudição. Vão estar ali os livros mais procurados e os lançamentos recentes. O local pretende ser uma biblioteca que chama o público para ler. Vai ter Playboy, Claudia, Capricho e Caras”, enumera Sayad.
O prédio da biblioteca foi erguido inicialmente com a proposta de abrigar eventos e exposições, mas ficou fechado por alguns anos, sem nunca ter sido usado. Por causa das dimensões e do fácil acesso -fica em frente à estação do metrô Carandiru- foi escolhido para a biblioteca.
Da construção original, que, com suas paredes de vidro, privilegia a integração com o verde do parque, pouco precisou ser mudado. “As intervenções incluíram colocação de revestimento e isolamento acústico, mas a estrutura não foi mexida”, afirma a idealizadora e gestora do projeto, Adriana Ferrari, assessora de gabinete da secretaria.
O investimento de implantação foi de R$ 12,5 milhões (R$ 10 milhões do estado e R$ 2,5 milhões do Ministério da Cultura). O custeio será de R$ 4 milhões. Uma verba adicional de R$ 1 milhão deve ser destinada todo ano para a atualização do acervo.
Com cerca de 30 mil itens, que incluem livros, DVDs, CDs, revistas, quadrinhos e jornais, a biblioteca dispõe de equipamentos de última geração, como um terminal de auto-atendimento, que permite ao usuário cadastrado liberar o empréstimo sozinho. Também há a preocupação com acessibilidade: o local tem de elevador e impressora em braile a software que faz a leitura em voz alta. O acesso à internet será de graça e computadores estão espalhados por todos os lados.
“A ideia é usar esses recursos concorrentes do livro, como a internet, a música e o DVD, para atrair o interesse pela leitura”, diz Adriana. De “Dom Casmurro” ao “Diário de Bridget Jones”, o acervo promete agradar a todos os gostos e ter um pouco de tudo.
Fonte: G1

Mãe Railda comanda o terreiro Ilê Axé Opô Afonjá - Ilê Oxum, em Valparaíso, desde 1972: tradição que atrai deputados e ministros.
Do portão, já é possível perceber que esta não é uma chácara como as da vizinhança. Pequenas casas de alvenaria estão espalhadas pelo terreno, em torno de um grande barracão. Sobre ele, uma bandeira branca celebra a paz. As centenas de árvores são decoradas com tiras de pano que envolvem o tronco, representando uma reverência à natureza. Ao fundo, escuta-se o som da água que corre a partir de um córrego ou de uma nascente — símbolo da vida para os visitantes do local. Estamos em uma casa de Candomblé, ambiente desconhecido pela maioria dos brasilienses. Para preservar e divulgar a cultura e as religiões de matrizes africanas, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) vai lançar este mês o livro Inventário dos terreiros do Distrito Federal e Entorno. A publicação conta a história e revela segredos dos principais locais de culto da capital federal.
A publicação será distribuída gratuitamente em bibliotecas, órgãos públicos e também entre pesquisadores e interessados pelo universo do Candomblé e da Umbanda. Durante a pesquisa, as equipes do Iphan identificaram e catalogaram 26 terreiros em várias cidades do Distrito Federal e do Entorno. Pelas suas características, as casas de culto costumam ficar em locais mais afastados e de difícil acesso, como chácaras de áreas rurais. Todas realizam, com frequência, festas públicas, além de prestarem serviço de aconselhamento espiritual particular.
É o caso do terreiro Ilê Axé Opô Afonjá – Ilê Oxum, comandado por Railda Rocha Pitta, 72 anos — conhecida por todos como Mãe Railda. Construído em um amplo terreno em Valparaíso, a 45 quilômetros do centro de Brasília, a casa é uma das mais tradicionais da região e recebe até deputados e ministros de Estado. Fundado em 1972, o terreiro começou com a doação do lote por um amigo pessoal de Mãe Railda. Ao longo das últimas quatro décadas, ela consolidou a estrutura que hoje consiste em um grande barracão e nas casas dos orixás espalhadas pelo lote.
Reconhecimento
Mãe Railda conta que decidiu abrir o terreiro em Brasília por orientação de Mãe Menininha do Gantois — que foi uma das mais famosas representantes brasileiras do Candomblé. “Ela abriu o jogo de búzios para mim e disse que eu havia sido escolhida por Xangô. Mãe Menininha me garantiu que eu teria um terreiro grande em Brasília para cuidar do povo”, relembra Railda. De tão reconhecida, ela é frequentemente chamada para representar o Candomblé em cerimônias oficiais. Nas paredes da casa, há fotos da mãe de santo com o presidente Lula e com ministros e ex-ministros como Celso Amorim e Gilberto Gil. Também estão pendurados o diploma de cidadã honorária e o de integrante do Clube dos Pioneiros do Distrito Federal.
Uma forma de lutar contra o preconceito
O superintendente do Iphan no DF, Alfredo Gastal, conta que a preocupação do instituto com a preservação dos terreiros tradicionais começou há 25 anos, com o tombamento de uma das casas mais antigas de Salvador, a Casa Branca. “Nós, brasileiros, tivemos influência europeia, asiática, mas a cultura negra permeou absolutamente todos os aspectos das nossas vidas. Não podemos ignorar a importância dessa contribuição”, destaca Gastal.

Publicação conta a história dos principais locais de culto no DF.
Ele acredita que a divulgação do inventário dos terreiros do Distrito Federal vai ajudar a reduzir o preconceito da sociedade em torno das religiões de matriz africana. “O estudo é uma forma de esclarecer quem nós somos. Não podemos aceitar no Brasil nenhum tipo de preconceito religioso, cultural ou racial. Somos feitos de uma mescla de gente de uma riqueza fantástica”, finaliza o superintendente do Iphan.
Um dos exemplos desse preconceito citado por Gastal foi a destruição das imagens dos orixás da Prainha, no Setor de Clubes Sul. De autoria do artista plástico Tatti Moreno, as obras de arte que simbolizavam os orixás foram queimadas e decapitadas, provavelmente por questões religiosas. As esculturas foram recuperadas e recolocadas no fim do ano passado. Hoje, a movimentação na área é monitorada por câmeras de segurança.
O trabalho do Iphan em Brasília e no Entorno começou em 2008 e foi fruto de uma parceria entre as superintendências do órgão no Distrito Federal e em Goiás. A primeira etapa consistiu no levantamento preliminar dos terreiros em atividade. A medida atendeu a uma demanda dos próprios adeptos, ansiosos pelo reconhecimento e valorização do patrimônio cultural vinculado às religiões afro-brasileiras.
Para Roberval Marinho, praticante do Candomblé e pesquisador reconhecido da área, a preservação da memória do Candomblé e da Umbanda é importante para lutar contra o preconceito. “Muita coisa da cultura e da religião já se perdeu. Esse estudo do Iphan é de grande importância para lutar contra esses ataques religiosos contra os cultos de origem africana”, explica Roberval, conhecido como Babalaô Roberval de Ogum.
Outro terreiro incluído no livro do Iphan é o Axé Bara Leji, ou Centro Espírita do Pai Tito. Criado em 1973 em Taguatinga, e depois transferido para uma chácara em Santo Antônio do Descoberto, o centro é hoje comandado por Fernando César Trindade de Aguiar, o Pai Fernando de Oxoguian. Além dos trabalhos culturais e religiosos, o terreiro tem uma forte atuação social na comunidade — uma característica comum a várias casas de culto. “Fazemos esses projetos sociais com recursos próprios. O Candomblé é um culto a tradições e culturas milenares. Nossa religião tem uma tradição cultural e social muito grande”, destaca Pai Fernando.
“Nós, brasileiros, tivemos influência europeia, asiática, mas a cultura negra permeou absolutamente todos os aspectos das nossas vidas. Não podemos ignorar a importância dessa contribuição”. Alfredo Gastal,superintendente do Iphan no DF.
Fonte: Correio Braziliense

Atrás da imponente portaria surge uma casa grande marcada por uma fileira de janelas coloniais azuis perfeitamente retangulares na fachada. Herança de um tempo em que as economias do açúcar e do café movimentavam e levavam prosperidade ao interior do Estado de São Paulo. E proporcionavam a formação de um acervo de móveis, senzalas, capelas, terreiros e engenhos.
Uma das fazendas mais representativas daquele período, entre os séculos 18 e 19, reabriu suas portas aos visitantes. Localizada na área rural de São Carlos, a 237 quilômetros da capital, a Fazenda do Pinhal foi pousada com 14 quartos até janeiro do ano passado. Mas, por ser tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), as acomodações foram fechadas aos hóspedes, com objetivo de facilitar a preservação das características originais da propriedade.
Hoje administrada pela Associação Pró Casa do Pinhal e transformada em museu, seus móveis e utensílios do século 19 podem ser novamente admirados pelos turistas em um programa de visitas guiadas que será oferecido até 31 de março – o período poderá ser estendido.
Com as devidas explicações históricas, os monitores mostram as áreas externas, como os terreiros de café e o pomar, e os cômodos da casa-sede. O visitante descobre que as casas construídas no período açucareiro não tinham varandas nem jardim externo para evitar que estranhos vissem as mulheres da família e que elas tivessem contato com os escravos. Assim, espaços de uso coletivo, como a capela, são internos. E existe uma ala separada para os hóspedes, com sala de estar e um quarto, sem comunicação com o restante da casa.
A fazenda pertenceu a Antonio Carlos de Arruda Botelho, o Conde do Pinhal, um dos principais acionistas da Rodovia Rio-clarense. Sua história está ligada à criação do município de São Carlos.
Na propriedade ocorrem também cursos nas áreas de museologia e conservação do patrimônio histórico, além de atividades educativas. Visitas escolares, aliás, não são cobradas.
Fonte: Estadão - www.estadao.com.br
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) proibiu a instalação de grades de proteção nos pilotis dos edifícios residenciais do Plano Piloto. A decisão sobre o Recurso Especial Nº 761.756 é de 5 de dezembro, mas só foi publicada no Diário da Justiça eletrônico nesta terça-feira (2/2).
O relator, ministro Teori Albino Zavascki, votou contra a instalação das grades e os ministros da primeira turma, que participaram da sessão, acompanharam o voto. Zavascki justificou que o ato constitui ofensa ao artigo 17 do Decreto de Lei 25/1937, já que compromete o patrimônio cultural tombado, por alterar as características paisagísticas e ambientais. No documento publicado, o relator defende que “não há dúvida de que o gradeamento desses prédios comprometerá severamente esse conceito”.
Moradores do Bloco G da SQN 304 haviam conseguido autorização do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) para permanecer com as grades. Porém, de acordo com a decisão do STJ, agora a proteção deverá ser retirada. Os responsáveis pelo prédio ainda podem recorrer.
Fonte: Correio Braziliense
Museu inicia o ano com reformas e nova exposição, mas ainda é obrigado a administrar dívidas antigas.
O prédio deteriorado ao lado do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), na Avenida Paulista, 1.510, pivô, desde 2005, de entrave judicial e de problemas com os órgãos que defendem o patrimônio histórico, começou a ser reformado no início de janeiro para abrigar novas instalações da instituição. Vai ser o Masp Vivo, no qual cinco ou seis de seus andares funcionará a Escola do Masp, a parte administrativa do museu, além de compreender espaços expositivos. A reforma está orçada em R$ 15.425.758,61, valor ainda a ser aprovado pela Lei Rouanet. O Masp terá de correr para concretizá-la porque, pelo acordo conciliatório com a empresa Vivo de telefonia celular, publicado em novembro de 2009, seu compromisso é deixar o prédio pronto em até 27 meses, ou seja, em 2012. Se não fosse o acerto, o museu teria de devolver os R$ 13 milhões que a empresa patrocinou para a compra do edifício.
O Masp Vivo não será o mirante de 125 metros de altura em plena Avenida Paulista tal era o polêmico projeto inicial que culminaria em seu topo com uma torre com destaque para o nome da empresa de telefonia, mas terá 70 metros, que é o gabarito permitido para as construções da região. “A ideia da torre morreu com a Lei Cidade Limpa. Mudamos as contrapartidas do acordo, então, o edifício vai se chamar Masp Vivo. No térreo vai ter uma área expositiva para a empresa, com patrocínio deles e montagem e projeto curatorial nosso, e eles vão poder usar o espaço para eventos”, diz o arquiteto Luiz Pereira Barreto, membro da diretoria do museu desde 1994. “Passei oito anos como diretor que cuidava da parte física do prédio; depois, fiquei três anos na diretoria financeira consertando buracos maiores”, continua ele.
Barreto usa de ironia para se referir ao quadro de crises consecutivas financeiras e jurídicas pelo qual o museu volta e meia ficou caracterizado, pelo menos, há uma década. Nesse sentido, como não lembrar do emblemático episódio do corte de energia pela Eletropaulo, em 2006, por falta de pagamento da conta de luz, numa dívida avaliada em R$ 3,4 milhões? Sobre essa questão, o diretor do Masp afirma que o museu vai liquidar o problema este ano, pagando o que ainda deve à Eletropaulo em seis prestações de R$ 138 mil.
Para a Vivo, a justificativa do acordo pelo prédio da Avenida Paulista, que também compreenderá parcela a ser paga pela empresa quando da conclusão das obras, garantindo a manutenção do contrato de “naming right” até 2025, segundo seu diretor de relações institucionais, Marcelo Alonso, foi a de que o museu “é um patrimônio da cidade”. Vale lembrar, o Masp, projetado pela arquiteta Lina Bo Bardi, é patrimônio tombado pelos órgãos federal (Iphan), estadual (Condephaat) e municipal (Conpresp). Um dos entraves ainda nesse quesito é a utilização do vão livre do prédio pelo museu: os órgãos alegam que a instalação, desde 1997, da bilheteria do Masp e dos biombos no espaço descaracteriza o projeto tombado. “A bilheteria e os biombos são móveis e não vão ser retirados de lá. Por uma questão de segurança também estão ali. No fim do ano (2009) respondemos ao Condephaat, mas eles não deram resposta, são demorados”, afirma Barreto. Enquanto isso, o vão livre, que deveria ser tal é seu nome, abriga não apenas esses aparelhos como, até dia 14, esculturas do artista pernambucano Abelardo da Hora.
O contrato de comodato do edifício pela Prefeitura, encerrado em outubro de 2009, ainda não foi renovado, segundo o museu. Outra questão com a prefeitura é a Galeria Prestes Maia, na Praça do Patriarca. Cedida ao Masp em 1996 e administrada pela instituição entre novembro de 2000 e dezembro de 2008, a galeria foi retomada em 2009 pela Prefeitura. Espaço deteriorado, não teve durante todo esse período uma utilização devida. O Masp alega ter investido R$ 3.223.900,00 em obras no local e pretende ter esse montante restituído. “A gente conversa (com a Prefeitura), ou se precisar, nós vamos à Justiça”, diz Barreto. Segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura, a Secretaria do Governo Municipal e a Secretaria Municipal de Cultura ainda estudam novo uso da Galeria Prestes Maia.
Este é ano de eleição da nova presidência do Masp, em outubro. Em 2008, João da Cruz Azevedo, ex-secretário-geral da instituição, foi eleito presidente do museu em substituição ao arquiteto Julio Neves, no cargo, em sucessivas eleições, desde 1994. Não havia outra chapa que concorria à presidência na ocasião e, sendo assim, ocorreu a continuidade de gestão. O Masp, em 2009, recebeu 679.106 visitantes, sendo um dos mais visitados do País.
Números
15 milhões de reais é o orçamento da reforma do prédio Masp Vivo.
804 mil reais é a dívida com a Eletropaulo.
3,2milhões de reais é o valor que o Masp alega ter usado na Galeria Prestes Maia.
Fonte: Estadão - www.estadao.com.br

Em duas semanas, os desabrigados terão que deixar as escolas, por causa da volta às aulas.
Um mês depois da enchente em São Luiz de Paraitinga, os moradores tentam retomar a rotina. Mas os desabrigados continuam sem destino e o trabalho de restauração das imagens religiosas ainda nem começou.
As imagens foram resgatadas dos escombros da igreja Matriz de São Luiz do Paraitinga. Estão sujas de barro e danificadas. Das dez, apenas duas têm valor artístico e histórico. Uma delas é a de São Luiz de Tolosa, o padroeiro da cidade. O santo perdeu os braços e a base. A imagem é do século 18, feita de madeira. A outra, da mesma época e do mesmo material, é a de Nosso Senhor dos Passos. “A gente precisa, nessa fase, esperar a secagem natural das peças, ir monitorando para ver se não está tendo nenhum problema maior, um desprendimento de policromia e, sim, depois, entrar um processo mais invasivo de conservação e restauro”, diz a restauradora Cristiana Antunes.
Um mês depois da enchente que destruiu o centro da cidade, as ruas ainda estão desertas. Restaurantes, lojas e padarias estão fechados. Edson Anacleto conseguiu reabrir o ponto comercial. “Sorte que a gente tem os funcionários como uma família pra gente, né? Então, um se fazia de pedreiro, outro de eletricista, outro de pintor… É um alívio para gente e pros fregueses, pra cidade. Vai dando ânimo novo e assim por diante”, diz.
Quem não tem parentes na cidade para ajudar, está em abrigos da prefeitura. No maior deles, há um mês, 60 pessoas vivem e dividem o espaço com colchões e roupas doadas. Em duas semanas, os desabrigados terão que deixar as escolas, por causa da volta às aulas. “O que eu queria era saber se eu vou ter o direito ou não vou ter o direito pra eu poder ir com meus filhos pra outro lugar e por meus filhos para estudar”, diz uma abrigada.
“Serão construídos abrigos provisórios até que as casas definitivas sejam construídas” , diz o diretor de turismo, Eduardo Coelho.
A prefeitura informou que o critério de entrega das casas será estabelecido pela Defesa Civil e pela Assistência Social do município.
Fonte: VNews
Um projeto de lei que complementa as leis municipais de preservação do patrimônio histórico e cultural deve ser enviado à Câmara de Vereadores de Londrina nos próximos dias. Os 42 itens do projeto foram aprovados no último sábado, durante da 1ª Conferência das Minutas das Leis Complementares – Londrina do Futuro, no último sábado. A conferência deveria aprovar também itens complementares do Código de Posturas do Município mas, segundo o presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), Carlos Hirata, o plenário decidiu concentrar esforços no patrimônio histórico e cultural.
De acordo com Hirata, a Secretaria de Cultura decidiu apresentar um substitutivo aos 62 itens que constavam no projeto original, resumindo e concentrando em itens mais detalhados. Segundo ele, foi um esforço conjunto para aprovação das minutas. A conferência durou cerca de 10 horas. “Precisava ficar definido o que é preservação patrimonial e cultural, conservação de obras e outros detalhes, além da criação de um conselho municipal e um fundo para projetos. Por isso, optamos por adiar a discussão sobre o Código de Posturas”, explicou. Possivelmente entre o final de fevereiro e o início de março.
O projeto de lei de Patrimônio Histórico e Cultural dará suporte e embasamento para que bens, móveis ou imóveis, possam ser considerados patrimônio da cidade. Ele já foi analisado tecnicamente por gestores do Município e oficinas preparatórias, que contam com a participação de diversos setores da sociedade. Na conferência, passaram pelo crivo popular, que reuniu representantes de cerca de 100 entidades.
Segundo o secretário municipal de Cultura, Leonardo Ramos, há 10 anos que a secretaria vem trabalhando para definir um projeto do tipo. “Londrina, infelizmente, não conseguia avançar na questão da preservação. A cidade ainda tem a cultura da sobreposição, ou seja, destrói um prédio para construir outro em cima”, afirma.
Segundo Ramos, se a lei for aprovada como está, até a polêmica sobre a venda dos Mercados Municipais pode ser encerrada. “Com a lei, o fato de vendê-los não significará que vamos perder um patrimônio histórico de Londrina. A estrutura poderá ser preservada”, explicou.
No total, oito leis complementares compõem o Plano Diretor da Cidade: os códigos de Obras, Posturas e Ambiental e as leis de patrimônio histórico e cultural, sistema viário, uso e ocupação do solo, parcelamento e perímetro.
Fonte: Jornal de Londrina

Cultura e fé marcam a história dos 145 anos da fundação da Capela de Nossa Senhora da Penha, patrimônio histórico localizado na cidade sul-mineira de Passos. Em agosto de 2009, a comunidade foi presenteada com a entrega do restauro da igrejinha que, agora, voltou a ostentar suas características originais, datadas de sua construção entre os anos de 1863 e 1864.
A obra centenária é fruto do cumprimento de uma promessa feita pelo casal Antônio Caetano de Faria Loulou e Maria Pimenta Abreu. Em dificuldades, Antônio e Maria apelaram para a devoção a Nossa Senhora da Penha, e se alcançassem a graça tão almejada, erguiriam o templo em louvor à santa.
Segundo estudos da historiadora Andréia Maria Kallas El Harati, a capela foi inaugurada em setembro de 1867, com a benção do padre João da Fonseca de Melo, conforme o ritual romano. O formato octogonal da nave é um dos poucos existentes na América Latina e sua estrutura apresenta traços coloniais. Escadas laterais dão acesso aos corredores superiores e ao coro. Mas recuperar o patrimônio da capelinha foi mais difícil do que no início aparentava ser.
Reformas

A obra de restauração começou em junho de 2007, durou exatos dois anos, dois meses e 25 dias e foi um desafio para o arquiteto André Luiz Nery Figueiredo, responsável pelo projeto. A falta de documentação histórica e as constantes intervenções feitas sem nenhum critério ao longo do tempo, a princípio, acabaram comprometendo os trabalhos. Em 1982, a capelinha passou pela última reforma, que, segundo o levantamento feito pelo arquiteto, também foi a responsável pela maior descaracterização do prédio, onde foram substituídos o retábulo e o piso.
Mas essas dificuldades foram superadas devido aos estudos in loco, prospecções e à contribuição da comunidade. Algumas das características originais foram recompostas baseadas em vestígios encontrados na própria capela, como um pedaço de piso que estava na sacristia, que serviu de base para a reconstituição de todo o ladrilho hidráulico. O fragmento tinha o mesmo desenho da nave da igreja.
Inicialmente, o custo inicial da restauração estava orçado em R$ 312 mil, mas uma avaliação minuciosa sobre o real estado de conservação do prédio indicou que seria necessário trocar todos os pilares, as vigas, treliças e os caibros em madeira, já que a ação de cupins e fungos havia comprometido toda a sustentação do templo.
Custos
O imprevisto causou um aumento de 140% no primeiro valor estimado nos gastos com a obra, saltando para aproximadamente para R$ 750 mil. Parte do dinheiro empregado na obra foi repassado pela Prefeitura de Passos e o restante foi obtido de doações e da realização de eventos promovidos pela Paróquia de Nossa Senhora da Penha, liderada pelo padre Francisco Clóvis Nery. Entre as propostas apresentadas pela equipe estava a instalação de novas fundações para os pilares, substituição de quase todo o madeiramento dos telhados e, também, a desmontagem e a recomposição do campanário posterior, que corria o risco de desabar.

Parte da madeira danificada retirada da fundação pode ser vista do lado de fora da capela porque ela foi usada na ornamentação de seus jardins. Um dos guardiões do templo, seu Darci Teodoro, de 74 anos, conta que o prédio estava bem comprometido. “Quando chovia era preciso arrastar os bancos e as pessoas tinham que se afastar durante a missa, porque a água entrava aqui dentro. Os carunchos estavam consumindo tudo”, diz.
O amarelo-claro e os acabamentos em azul e branco também voltaram a predominar, trazendo mais luz para o interior da capelinha. As cores aliadas à recuperação da parte superior que completa a cúpula (zimbório) e dos vitrais coloridos, conforme descritos no livro “Memoriando”, de Washington Noronha, trazem naturalidade ao recinto. Estes elementos ganharam um projeto de iluminação para valorizar seus detalhes.

O altar recebeu um tratamento mais que especial. A madeira envernizada colocada na década de 1980 deu lugar ao espaço original e a reconstituição das molduras douradas levou 11 meses de trabalho até ficarem prontas.
O processo teve início baseado em análise das peças e do material histórico. Para o douramento das molduras foi utilizada uma técnica que se resume a aplicação de uma fina folha de ouro de 22 ou 23 quilates sobre a madeira. Só depois de impermeabilizada é que o suporte recebe o ouro. O resultado é um brilho intenso e uniforme, que seduz os olhares de quem quer que o observe. Além disso, a mesa do altar foi aproximada dos fiéis para tornar as cerimônias mais participativas.
Grades
A Capelinha da Penha, como é chamada pelos passenses, também ganhou proteção em sua área externa. Antes da mureta original foram instaladas grades para inibir a ação de vândalos. Segundo seu Darci, as pessoas não se importavam em ficar sentadas na mureta, danificando o conjunto da obra. O projeto das grades sofreu grandes críticas, mas foi aceito por se tratar da segurança do patrimônio histórico.
Para a zeladora do templo, dona Benedita Felizarda, de 82 anos, os novos ares da capelinha fazem bem ao espírito. “Ficou muito bonita, dá gosto cuidar da igreja e zelar por ela. É como se a fé tivesse sido renovada”, afirma.
Irmandade

Antes da reinauguração da igrejinha em 31 de agosto de 2009, algumas medidas para a sua preservação foram tomadas. Entre elas, a criação do grupo “Guardiões”, que sob a responsabilidade da Irmandade de Nossa Senhora, ficou com a tarefa de zelar pelo prédio e manter viva a devoção à padroeira.
As regras adotadas pela Irmandade incluem desde o horário de funcionamento do prédio até o modo como ele deve ser limpo. Fotos em seu interior podem ser feitas, mas o uso de flashes e refletores são proibidos.
O grupo dos guardiões é formado por voluntários atuantes na comunidade, que se revezam durante o horário de abertura à visitação. Devidamente identificados com crachás, os guardiões recebem e orientam os visitantes durante as passagens pela capela. Eles se reúnem bimestralmente para tomar decisões registradas em um livro para guardar a memória do templo e, que, futuramente, servirá como documento histórico para as novas gerações.
Todos os assuntos ligados à manutenção da capelinha são administrados pelo Conselho Paroquial de Assuntos Econômicos e pela Secretaria Paroquial. Em breve, o arquiteto André Luiz Nery Figueiredo deve finalizar um manual de conservação para que as informações contidas possam ser seguidas pelos administradores da obra.
Fonte: EPTV.com

O Santuário da Igreja das Neves, que fica em Presidente Kennedy, litoral Sul Capixaba virou mais um Patrimônio Histórico do Estado do Espírito Santo.
O tombamento aconteceu em agosto do ano passado, durante as comemorações da Festa das Neves e a Igreja das Neves, como é chamada carinhosamente pelos fies, foi entregue para a Diocese de Cachoeiro de Itapemirim e recebida pelas mãos do Bispo Dom Célio. “Essa á um emoção muito grande para todos nós. Agora podemos realmente chamar a Igreja das Neves de nossa. Com isso, teremos a garantia infinita de que ninguém irá acabar com o nosso Santuário. Isso é mais uma obra divina.”, disse, emocionado, Dom Célio.
Segundo Amanda Rangel, secretária municipal de arte e cultura de Presidente Kennedy, esse processo de tombamento é uma grande conquista para os kennedenses. “Conseguir o tombamento histórico e cultural da nossa Igreja foi uma grande vitória para nós. Com esse documento, garantimos que ninguém poderá modificar ou mexer em nosso patrimônio que já está com a gente há mais de 350 anos. Estamos felizes com isso”, explicou ela.
Todo esse evento aconteceu durante a realização da principal missa da programação da Festa das Neves, no dia 05 de agosto, como acontece a mais de 20 anos no município. “Essa festa atrai fieis do mundo inteiro. Este ano, foram mais 30 mil pessoas que passaram por aqui.”, explicou do Frei Levy, pároco do Santuário.
O tombamento histórico de Igreja foi aprovado pelo Conselho Estadual de Cultura, como Patrimônio Histórico e Artístico Estadual e o imóvel fica sob guarda permanente dos poderes públicos estaduais e municipais.
Para o Prefeito, Reginaldo Quinta, essa é mais vitória do município de Presidente Kennedy. “O tombamento da Igreja das Neves garante mais uma patrimônio histórico de Presidente Kennedy não seja prejudicado ou perdido. Cuidar da cultura e da arte, incentivo esse tipo de ação, é também um grande passo para o desenvolvimento do nosso município”, disse Reginaldo.
A Festa de Nossa Senhora das Neves acontece na Paróquia Nossa Senhora das Neves, na Praia da Neves, entre o mês de julho e agosto. Este ano, a festa ainda está sem data confirmada.
Fonte: Maratimba.com
As organizações privadas já podem fazer parcerias com a prefeitura do Rio para restauração, recuperação e, eventualmente, a adequação de uso dos imóveis na Áreas de Especial Interesse Urbanístico (AEIU), criada pela Lei complementar 101/2009, na região do Porto do Rio. O comunicado da Secretaria Municipal da Casa Civil está no Diário Oficial do Município desta quinta-feira, com mais detalhes aos interessados.
Os projetos devem ser encaminhados nos próximos 30 dias à Secretaria Extraordinária de Desenvolvimento, na Rua Gago Coutinho n° 52, em Laranjeiras. Serão apreciadas propostas relativas à indústria criativa (audiovisual, arquitetura, moda, design, música, artes plásticas e outros) e ainda às de inovação tecnológica e de sustentabilidade ambiental, bem como de ação social.
A avaliação dos projetos será feita no prazo de 45 dias pelos representantes daquela Secretaria e também das secretarias municipais de Urbanismo e de Cultura, para encaminhamento ao Gabinete do Prefeito com as respectivas considerações e recomendações.
Fonte: O Dia Online
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