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Edgard Cine-Teatro, em Cataguases, busca recursos para recuperação do espaço. Município procura solução em conjunto com o Iphan, para que cinema não perca sua característica.

Alvo de uma onda de boatos que dão conta que o imóvel estaria pronto para ser transformado em igreja ou até mesmo supermercado – a exemplo de tantos de seus iguais Brasil afora –, o Edgard Cine-Teatro, de Cataguases, na Zona da Mata, carece de uma ação planejada para obtenção de recursos para o equipamento e restauração do equipamento cultural, da década de 1950, tombado pela municipalidade e pelo governo federal.
A afirmação é do arquiteto Ulisses Lins, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan-MG), que participou do encontro do secretário municipal de Cultura de Cataguases, José Vitor Lima, com o superintendente do órgão no estado, Leonardo Barreto de Oliveira. Joia da arquitetura modernista mineira, tombada conjuntamente em 1994, pela importância do movimento que também legou à cidade outros imóveis de arquitetura moderna, o Edgard, de 960 lugares, é atualmente o maior espaço do gênero na região, onde os cinemas mais próximos estão a 70 quilômetros (Muriaé) e até a 120 quilômetro (Juiz de Fora). “Em cartaz no local, Eclipse vem batendo recordes de público”, garante o secretário José Vitor, sem ocultar a necessidade de obras no Edgard Cine-Teatro.
Construído na última década do século 19, em estilo eclético, o prédio que abriga o cinema foi feito no local do Cine Teatro Recreio, no qual o cineasta Humberto Mauro exibiu as primeiras produções para a população de Cataguases. De autoria dos arquitetos Aldary Henriques Toledo e Carlos Leão, o imóvel teria se transformado em alvo de boataria, segundo o secretário municipal de Cultura, depois que a cidade da Zona da Mata abrigou um encontro de cineastas. No Portalcataguases.com, no entanto, Mário Chrispim escreveu que há inclusive um curta-manifesto a respeito da notícia, feito especialmente para ser exibido em forma de protestos em canais abertos de TV e festivais.
Na reunião de ontem, em Belo Horizonte, do secretário de Cultura da cidade, José Vitor Lima, com o superintendente do Iphan-MG, Leonardo Barreto de Oliveira, não houve nenhum resultado objetivo. “Desconhecemos qualquer oferta aos proprietários do cinema para a venda do imóvel”, garantiu o arquiteto Ulisses Lins, admitindo que o Edgard Cine-Teatro carece de uma administração mais efetiva. “O cinema merece ser adquirido pela Prefeitura de Cataguases, porque ele serve à comunidade”, acrescentou o funcionário do Iphan, ao salientar a função social do espaço. “De obra emergencial ele não precisa, mas sim de uma modernização de seus equipamentos de projeção e poltronas”, concluiu o arquiteto.
Como a Prefeitura de Cataguases não teria recursos para adquirir o imóvel e o Iphan-MG não pode adquiri-lo e nem desapropriar, fica adiada, mais uma vez, a garantia de que a comunidade não irá perdê-lo para a especulação crescente e preocupante. Resta esperança no fato de, por ter sido tombado, o Edgard Cine-Teatro venha a ser alvo de recursos públicos ou privados para sua completa restauração, além de novos e necessários equipamentos técnico-mobiliários.
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Fonte: Portal UAI

Um dos graves problemas da antiga Vila Rica é a ocupação irregular de escostas, que provoca um choque com o complexo histórico.
No ano em que comemora três séculos de elevação à categoria de vila, Ouro Preto, a 95 quilômetros de Belo Horizonte, tem outra data marcante para celebrar. Neste domingo, moradores, visitantes e admiradores da arquitetura barroca e dos monumentos históricos lembram os 30 anos de reconhecimento da cidade como patrimônio da humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). No entanto, devido ao feriado, a festa terá início no dia 16, com programação até 28 de outubro, fruto da parceria entre o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), prefeitura e Fundação de Arte de Ouro Preto (Faop), vinculada à Secretaria de Estado da Cultura.
Ouro Preto foi a primeira cidade brasileira a receber o título da Unesco e a terceira das Américas – as primeiras foram Quito, no Equador, e Guadalajara, no México. Mesmo com motivos para comemorações, há também muitos desafios, acredita o chefe do escritório do Iphan em Ouro Preto, arquiteto Rafael Arrelaro. Um dos principais está na ocupação irregular das encostas, que acaba por desfigurar a paisagem colonial e causar um choque com o Centro Histórico, tombado pelo Iphan desde 1938.
Outro ponto importante é o turismo e a participação da comunidade, cita Arrelaro. “Queremos que o turista seja cada vez mais qualificado e que contribua de fato para o crescimento cultural e econômico da cidade, sem depredação do conjunto arquitetônico e dos monumentos. Da mesma forma, desejamos que toda a população, incluindo os moradores, os que trabalham e estudam no município, estejam totalmente envolvidos com o patrimônio de grande importância para Minas e o Brasil e estejam preocupados com a sua manutenção”, afirma o arquiteto. No dia 16, o Iphan vai lançar uma nova Portaria Normativa para o uso do espaço urbano, resultado de discussões e consultas populares. “A norma busca manter a ambiência e harmonia da cidade, em acordo com o seu crescimento urbano”, explica.
No início da década, Ouro Preto esteve prestes a perder o título de patrimônio da humanidade, em função da degradação e da falta de zelo com igrejas, casario e outros bens arquitetônicos. “Hoje, a cidade pode comemorar os 30 anos desse reconhecimento”, diz a coordenadora cultural da Unesco, Jurema Machado. “A comunidade entendeu o sentido que o patrimônio tem em suas vidas e assumiu esse papel de protegê-lo. Nos últimos anos, Ouro Preto adotou mecanismos modernos de controle urbano, a prefeitura se estruturou melhor para a gestão do setor e houve melhoria no estado de conservação dos monumentos, em especial caminho-tronco original”, conta.
“Há um dinamismo cultural e econômico, com museus, centro de convenções, presença da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) e outros equipamentos. Ouro Preto não é um cenário, mas uma cidade ativa. Mas também há problemas pela frente, como a expansão urbana, a ocupação das encostas, a circulação”, diz. A inscrição de Ouro Preto como patrimônio da humanidade, em 5 de setembro de 1980, baseou-se na importância do ciclo do ouro no século 18 para o florescimento da civilização brasileira, cujo legado histórico e cultural a cidade revela de forma excepcional, dizem os especialistas do Iphan.
Para o secretário municipal de Patrimônio e Desenvolvimento Urbano, Gabriel Gobbi, os bons resultados de Ouro Preto se devem à fiscalização e busca de recursos para conservação dos prédios históricos, além de organização do trânsito e do espaço urbano. “Manter não é difícil, o que não se pode é deixar deteriorar”, afirma. Sobre a ocupação dos morros, diz que o problema está “estagnado”, impedindo-se a construção irregular. Ele explica que estão em andamento novos instrumentos de controle, como a lei de uso e ocupação do solo e o plano diretor.
Comemoração
No dia 16, serão lançados o selo comemorativo de 30 anos do Patrimônio Mundial e a Copa Cultural 2014, junto com a abertura da 9ª edição do Festival Tudo é Jazz. Estarão presentes o ministro da Cultura, Juca Ferreira, Jurema Machado, o presidente do Iphan, Luiz Fernando de Almeida, o Superintendente do Iphan/MG, Leonardo Barreto e outras autoridades.
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Fonte: Portal UAI

Segurança, preservação e vida nova para o templo católico mais antigo de Conselheiro Lafaiete, na Região Central, a 100 quilômetros de Belo Horizonte. Fechada há quatro anos por questão de segurança, a Matriz de Nossa Senhora da Conceição, construída em 1733, está em obras, com previsão de término no fim do ano que vem. “Tenho certeza de que vamos celebrar a festa da padroeira, em 8 de dezembro de 2011, com a igreja recuperada”, acredita piamente o titular da paróquia, padre José Maria Coelho da Silva. Ele explica que se trata da segunda etapa, já que, em 2006 e 2007, houve intervenção na alvenaria, telhado baixo, portas e janelas.
A nova e ampla etapa, iniciada há dois meses, tem patrocínio da siderúrgica Gerdau/Açominas, em parceria com a Paróquia Nossa Senhora da Conceição, Ministério Público Estadual, prefeitura e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). De acordo com informações da empresa, o investimento é de R$ 3,5 milhões, financiado pelo banco. O projeto de restauro do templo, tombado pelo município, inclui a reforma da estrutura, revestimentos, piso, forro, pintura, esquadrias, instalações elétricas, telhado e área externa. Para garantir o perfeito andamento dos serviços (qualidade, custos, cumprimento de prazos e outros aspectos técnicos), o gerenciamento e a fiscalização estão sob responsabilidade da Gerdau.
Entusiasmado, padre José Maria diz que todo o piso de ladrilho hidráulico, colocado na década de 1960, será trocado por tábuas corridas, conferindo o aspecto original à igreja de estilo barroco. Para isso, será feito um rebaixamento, criando-se condições, também, para a ventilação dessa área. Para a parte externa, está previsto um projeto paisagístico, com iluminação adequada e pedras distribuídas pelo chão. O padre lembra que, quando a igreja foi fechada, o grande problema era a falta de segurança, temendo-se que uma parte da cobertura caísse sobre os fiéis. Assim, a alternativa foi transferir missas e outras celebrações religiosas para o vizinho salão paroquial, com capacidade para 1,2 mil pessoas sentadas. Todos os trabalhos são acompanhados pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural.
Por enquanto, os elementos artísticos não fazem parte do cronograma de obras. “Mas já estamos correndo atrás dos recursos para que, assim que terminarmos os serviços estruturais, possamos restaurar os altares, teto e outras partes”, antecipa o padre. O secretário municipal de Cultura, João Batista da Silva Neto, destaca que a matriz está localizada entre as praças Barão de Queluz e Tiradentes, onde a cidade começou, “representando um marco da Estrada Real”.
Na internet
Mesmo com a igreja de portas fechadas, os paroquianos não ficam longe do seu patrimônio histórico e espiritual maior. O andamento da restauração pode ser acompanhado, em tempo real, pelo site da paróquia, o www.igrejamatrizcl.com.br. “Neste endereço eletrônico, os interessados têm acesso a informações sobre a reforma e podem conferir fotos de cada etapa. Atualizo o site todos os dias”, diz o padre.
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Fonte: Portal UAI

A manhã gelada não impede que a estudante Elis Furlan, de 23 anos, dê um revigorante banho de água fria em parte importante da história de Minas. Com o cuidado típico dos restauradores, ela mergulha, um a um, papéis de mais 200 anos numa solução que contém álcool e detergente especial. Nessa limpeza, ela contribui para tornar legíveis e duradouros documentos dos séculos 17, 18 e 19 pertencentes à Associação Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, de Barbacena, na Região Central.
Enquanto faz o trabalho técnico de conservação, a jovem afirma estar diante de um pequeno tesouro, dono até de um nome meio misterioso para leigos: códice. Por isso, vez ou outra, munida de lupa, Elis observa os manuscritos encadernados, feitos de papel de trapo – linho, algodão ou cânhamo – e preenchidos com tinta ferrogálica, em uso até a década de 1920. Traduzindo em miúdos, são letras escritas com material à base de ferro que, ao longo do tempo, oxida e corrói a folha. “É uma tarefa de paciência, podemos ficar um dia inteiro cuidando de duas páginas”, conta a estudante.
Ao lado de outros nove jovens, Elis, natural de Leme (SP), conclui o curso do Núcleo de Conservação e Restauração da Escola de Arte Rodrigo Mello Franco de Andrade, da Fundação de Arte de Ouro Preto (Faop), vinculada à Secretaria de Estado de Cultura. E, na reta final, não poderia ter melhor material didático que os sete documentos em restauro sob orientação do professor Demilson Malta Vigiano. Ele explica que todas as irmandades religiosas tinham os seus códices, palavra originária do latim (codex), que significa livro ou bloco de madeira: “Na Europa, são todos os livros de manuscritos anteriores à imprensa, inventada, no século 15, pelo alemão Johann Gutemberg (1397-1468). Já no Brasil, códices são aqueles encadernados até 1850”.
Nesses cadernos, com ou sem capa de couro, há toda sorte de registros, diz a coordenadora do Núcleo de Conservação e Restauração da Faop, Carla Santana. Ela cita receitas e despesas das irmandades, inventário do acervo (esculturas, imagens, mobiliário etc), informações sobre óbitos, casamentos e nascimentos, enfim, todos os dados cotidianos sobre as atividades das associações. “Se agora nas mãos dos alunos os códices se tornam preciosa ferramenta de aprendizagem, no futuro próximo serão de extrema utilidade para estudiosos. A conservação do suporte, portanto, é peça fundamental para a pesquisa”, diz Carla. O serviço iniciado há um ano vai terminar em dezembro. “É um dos trabalhos de formatura da turma”, diz Demilson, tendo à mão um volume de 400 folhas, usado de 1795 a 1822.
Orgulho e curiosidade
Os principais envolvidos no projeto estão entusiasmados, a exemplo de Sarah Fazzenaro, de 27, natural de Araras (SP) e formada em história. “Estou muito orgulhosa em participar, pois se trata de uma tarefa que valoriza os lados profissional e pessoal e aguça a minha curiosidade”, acredita. Foi numa das aulas que ela descobriu uma anotação feita no início do século 19 e esquecida dentro de um dos códices . “Alguém estava lendo o documento e escreveu ‘Oh!’, ao ler que uma pessoa, para ingressar na irmandade, dera um jumento como pagamento. O espanto era porque, na época, o preço do animal era alto, o equivalente ao de um carro hoje. O mesmo leitor sublinhou o manuscrito, algo que não se pode fazer com um livro”, afirma a estudante.
Ao apresentar um dos códices ao aluno Arthur Francisco da Silva, de 21, morador de Ouro Preto, Demilson mostra que, no livro-caixa, todas as folhas foram rubricadas pelo escrivão Agostinho Pitta de Castro, e algumas contêm marca d’água. Para o estudante, participar da recuperação de um códice significa oportunidade única, diante da dificuldade de ter esse tipo de documento à disposição. “Essas iniciativas são relevantes para valorizarmos o patrimônio e buscarmos sempre a conservação”, comenta o rapaz, admirado com uma página que traz, em cor, o desenho da coroa de Nossa Senhora, e as letras iniciais de Maria.
Rasgos e mofo
Ao chegar à Faop, que banca os custos de restauro, os documentos seculares apresentavam rasgos, mofo, degradação por fungo e pela ação do tempo, embora sem muitos ataques de insetos. No processo de recuperação, entra uma série de procedimentos, começando com a higienização com pincel macio e atenção máxima à numeração das páginas. Na sequência, a equipe desmonta o caderno para, então, mergulhar as folhas, intercaladas com um tela fina, numa solução aquosa composta por detergente laboratorial e álcool. “Qualquer papel é muito resistente à água. Fazemos isso para retirar resíduos, partículas e sujeiras”, revela o professor Demilson. As próximas etapas incluem estabilização da tinta ferrogálica, com produto antioxidante, desacidificação e, finalmente, pôr para secar em prateleiras. Depois disso, é feita a reconstituição das páginas que sofreram perda de papel.
A Associação Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte tem mais de 250 anos e foi criada por autorização de Dona Maria I (1734-1816), rainha de Portugal, conforme documento guardado na Paróquia de Nossa Senhora da Assunção (Igreja Matriz da Boa Morte), de Barbacena. O pároco Daniel Marcos Lima está satisfeito com o restauro, certo de que, assim, se preserva parte da história da cidade e também de Minas. “Venho acompanhando o trabalho e vejo a Faop executar um bom serviço. Nesses documentos, está a vida da irmandade”, diz padre Daniel.
Capacitação
Com 40 anos de atuação, aprovado e reconhecido desde 2002 pelo Ministério da Educação (MEC), o curso técnico de restauração da Faop forma profissionais em escultura policromada, papel e pintura de cavalete. O processo seletivo ocorre a cada semestre. Em parceria com a Secretaria de Estado de Educação, via Programa de Educação Profissional (PEP), a fundação oferece 60 vagas gratuitas para os turnos da manhã, tarde e noite. As próximas inscrições para cursos deverão ser em dezembro. Informações: (031) 3552-2480.
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Fonte: Portal UAI

Grupo de Congado que integrou a Jornada do Patrimônio Cultural 2009: iniciativa vencedora.
Minas é duplamente vencedora no 23º Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade concedido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Na categoria divulgação, o destaque ficou com a Jornada Cultural, do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha/MG), enquanto o Acervo Artístico Museológico, da Associação dos Amigos da Escola Guignard, foi ganhador em pesquisa e inventário de acervos.
Este ano, foram inscritos 175 trabalhos, em nível nacional, que passaram por uma pré-seleção em julho, nas comissões regionais, e depois concorreram em sete categorias. O resultado foi decidido em reunião da Comissão Nacional de Avaliação, presidida pelo Iphan e formada por 13 representantes do governo federal, de instituições ligadas ao tema e personalidades da cultura.
O presidente do Iepha, Carlos Noronha, disse que o prêmio, recebido na primeira edição da jornada, significa incentivo e reconhecimento a uma política de difusão das questões relacionadas à preservação, conservação e promoção do patrimônio cultural. “Ele deve ser compartilhado com os municípios e instituições que, por meio de adesões espontâneas, permitiram diversos eventos, nas regiões, para valorizar a memória e a diversidade cultural mineira”, disse. O diretor da Escola Guignard, Benedikt Wiertz, comemorou a conquista e contou que o acervo tem 900 peças, incluindo quadros, desenhos e objetos pessoais do pintor Alberto da Veiga Guignard (1896-1962), e outras da própria escola, que se encontram restauradas, catalogadas e conservadas adequadamente.
A reunião da Comissão Nacional de Avaliação foi coordenada pela diretora do Departamento de Articulação e Fomento do Iphan, Marcia Rollemberg, que diz que a lista de vencedores de 2010 revela o compromisso crescente de instituições públicas e da sociedade civil com a preservação do patrimônio cultural brasileiro.
Criado em 1987 e promovido anualmente, o prêmio para valorizar o patrimônio nacional será entregue em 20 de outubro, às 20h, no Teatro Nacional Cláudio Santoro, em Brasília (DF). Os vencedores receberão troféu e R$ 20 mil.
Minas foi o único estado a vencer em duas categorias e, de acordo com o Iphan, não houve premiado na categoria patrimônio natural e arqueológico. Os demais ganhadores são Dossiê do Parque Histórico Colônia Militar dos Dourados (categoria apoio institucional e/ou financeiro), proposto pelo 10º Regimento de Cavalaria Mecanizado, de Mato Grosso do Sul; Saveiros de Vela de Içar da Baía de Todos os Santos (preservação de bens móveis e imóveis), da Associação Viva Saveiro, da Bahia; Educação Patrimonial da Secretaria Municipal de Cultura de Londrina, da Prefeitura de Londrina, no Paraná (educação patrimonial); e Sítio Arqueológico (salvaguarda de bens de natureza imaterial), do Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos, do Rio de Janeiro.
Fonte: Portal UAI

Fonte: Benedito Tadeu de Oliveira

De um lado, decisões importantes para o povo da histórica cidade. Do outro, um trabalho de vulto em favor da cultura local. O gabinete do chefe do Legislativo de Ouro Preto, a 95 quilômetros de Belo Horizonte, está dividido, nos últimos dois meses, em sala de reuniões e ateliê de restauração. O motivo da separação em dois ambientes é a recuperação do quadro Leitura da sentença de Tiradentes, com 3 metros de altura por 2 metros de largura e moldura dourada rococó, que representa, conforme está em destaque, homenagem aos mártires da Inconfidência Mineira. A expectativa é de que o serviço, a cargo do conservador e restaurador de obra de arte, Sílvio Luiz Rocha Vianna de Oliveira, fique pronto em novembro.
Enquanto as secretárias preparam a reunião para o presidente da Casa Bernardo Pereira Vasconcellos (Câmara de Vereadores), Júlio Pimenta (PPS), Sílvio se dedica ao quadro – um óleo sobre tela, datado do fim do império e de autoria de Leopoldino de Faria (1836-1911), pintor oficial da Academia Imperial do Rio de Janeiro (RJ). Para delimitar os espaços, foi pendurada uma cortina de voal branco, tecido leve e fino.
“Trata-se de uma obra de grandes proporções e muito delicada, então, decidimos recuperá-la aqui mesmo, e não transportá-la para um ateliê. Além disso, todas as pessoas que vierem aqui terão oportunidade de presenciar o restauro ”, diz o presidente da câmara, instituição localizada na Praça Tiradentes, no Centro Histórico. Ele lembra que “a obra traz a figura de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes (1746-1792) e simboliza a Inconfidência Mineira e o início dos movimentos libertários”.
Ao mesmo tempo em que executa o serviço, Sílvio, entusiasmado, busca respostas. “Ainda não sabemos se o suporte é de linho, cânhamo ou algodão”, revela, observando que a pintura é de ótima qualidade. Entre os principais problemas apresentados pela tela estava o desprendimento de camadas de tinta: “Essas perdas provocaram craquelês, sinal de deterioração, que esquadrinham a superfície da tela”.
Certo de que o ateliê representa um processo didático, Sílvio conta as etapas de restauro da tela: desmonte da pintura, planificação, para correção de deformações, consolidação, para refixar camadas de pintura em desprendimento, enxerto das bordas ou obturação das áreas deterioradas causadas pela oxidação de pregos. Foi também removida uma camada de verniz oxidado, devendo, ao final, ser aplicado um outro para dar proteção.
Como a sala de reuniões fica de frente para a Praça Tiradentes e sofre com a ação do sol, o restaurador vai sugerir a instalação de filtros nas janelas para proteger o quadro ou outro sistema de prevenção. Sílvio conta que, ao longo do tempo, a pintura recebeu intervenções, sendo a principal uma feita em 1900, pelo artista Honório Esteves do Sacramento, que deixou escrita a data 3/5/1900. O restauro é bancado pelo Legislativo.
300 anos
A obra é um dos expoentes dos 300 anos da Câmara local, em comemoração até 8 de julho de 2011. De acordo com as pesquisas, a tela pertenceu à Assembleia Provincial de Minas Gerais, que tinha sede em Ouro Preto e funcionava no local onde está hoje o Centro Acadêmico da Escola de Minas (Caem), na Praça Tiradentes. Com a mudança da capital para Belo Horizonte, no final do século 19, ela foi deixada em Ouro Preto e levada para a Câmara Municipal. As funcionárias do gabinete, Fernanda Henriques Coelho e Vera Maria Queiroz Gomes estão gostando da mudança na sala de reuniões. “É interessante, dá um clima meio teatral com essa cortina”, brincou Fernanda.
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Fonte: Portal UAI

Passado e presente unidos pela arquitetura, preservação do patrimônio e melhoria dos acessos urbanos. Uma das três últimas obras do Programa Monumenta/Ministério da Cultura (MinC), em Ouro Preto, na Região Central de Minas, ficará pronta sexta-feira. A Ponte do Palácio Velho, no Bairro Antônio Dias, construída em pedra de cantaria, no século 18, tem história e muita serventia para quem segue para a região ou simplesmente deseja visitar a Mina de Chico Rei, um dos tantos pontos turísticos da cidade. O Monumenta conclui, ainda em Ouro Preto, o paisagismo da Ponte Seca, entre os bairros do Pilar e Rosário, e da Casa do Folclore, ao lado do Palácio Velho.
Iniciada em 20 de junho, a recuperação da estrutura custou R$ 100 mil, fruto do convênio entre a prefeitura e o MinC, informa o secretário municipal de Patrimônio e Desenvolvimento Urbano, Gabriel Gobbi. “A ponte é muito usada pelas pessoas, então, o nosso objetivo foi fazer o reforço entre as pedras com uma injeção de calda consolidante. Tivemos que retirar 60 centímetros de terra para executar o serviço e, finalmente, recompor o calçamento original”, explica Gobbi. O projeto incluiu a limpeza do piso de pedras, muito suscetível à vegetação invasora. Durante os trabalhos – acompanhados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), responsável pelo tombamento do Centro Histórico, há 72 anos – foi feito um desvio emergencial para garantir acesso ao Palácio Velho.
Quem precisa passar todos os dias pela ponte sobre o Córrego da Sobreira se diz satisfeito. Para a estudante de direito na Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) Aline de Oliveira Sírio, de 22 anos, a recuperação representa segurança para a comunidade. “A estrutura estava meio tombada, parecia que ia cair. É importante recuperar um marco da história da cidade e também preservar a vida dos moradores”, afirmou. A dona de casa Rosângela Rosa de Lima Gonçalves, de 46, vive desde que nasceu numa casa ao lado da ponte. “Estava cheia de trincas, com partes afundando. O que nos preocupa, agora, é o fluxo de caminhões pesados.”
Conforme as pesquisas, desde a formação das primeiras ocupações na antiga Vila Rica, houve a necessidade de construção de pontes. Com o aumento populacional e geração de riquezas, foram aperfeiçoadas. A do Palácio Velho é provavelmente da primeira metade do século 18. Houve uma versão, original, em madeira, e a definitiva, de pedra. Ela fica sobre o Córrego da Sobreira, vindo do arraial dos Paulistas, de onde saíram arrobas de ouro para a Real Coroa de Portugal durante o período colonial. O nome foi usado a partir de 1741, quando foi construído o Palácio dos Governadores, no Alto de Santa Quitéria, hoje a Escola de Minas, na Praça Tiradentes.
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O incêndio, na madrugada de sábado, de dois imóveis do século 18 no Centro Histórico de Congonhas, na Região Central de Minas, expôs, mais uma vez, a fragilidade do patrimônio cultural e deu sinais da necessidade de medidas maiores de proteção do conjunto arquitetônico do estado. Os principais gargalos, segundo especialistas, estão na falta de prevenção, por parte dos proprietários, e no restrito número de unidades do Corpo de Bombeiros nas cidades históricas. Dos 32 municípios do interior destacados pela relevância cultural na Constituição Mineira de 1989 apenas cinco têm unidades de combate ao fogo: Itabira e Ouro Preto, na Região Central; Diamantina, no Vale do Jequitinhonha; São João del-Rei, no Campo das Vertentes; e Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Os demais, 85%, ficam na dependência de outros centros urbanos.
Projetos conduzidos pelo Corpo de Bombeiros demandam parceria com as prefeituras para surtir efeito. O mais importante, segundo o assessor de comunicação da corporação, capitão Frederico Pascoal, é o Minas Presente, que pretende dotar todas as cidades mineiras com população superior a 50 mil habitantes de frações reduzidas dos bombeiros ou grupos de 15 a 21 militares . “Minas tem 853 municípios e há áreas com grandes demandas, caso das cidades históricas, onde os riscos de incêndio para o casario e monumentos são maiores”, afirma o capitão Frederico.
O Minas Presente atua dentro de um novo conceito de segurança e está em implantação em algumas cidades da Zona da Mata e do Sul de Minas. “Com essas frações reduzidas, teremos condições de diminuir o tempo de atendimento, de forma que a guarnição de uma cidade chegue outra com rapidez. Mas é fundamental a parceria com as prefeituras, que vão fornecer a estrutura física, enquanto o Corpo de Bombeiros entra com os carros e os militares. Estávamos em entendimento com a Prefeitura de Congonhas, mas o processo não andou”, disse o capitão. A ocorrência de sábado foi atendida pela unidade sediada no município vizinho de Conselheiro Lafaiete, a 20 quilômetros de Congonhas, mas essa ajuda teria demorado 45 minutos para chegar.
Outra novidade está na aposta de aquisição de um veículo de emprego múltiplo, mais curto e mais ágil, para socorrer as cidades históricas em qualquer emergência. “Por ter uma vazão menor de água, ele não vai causar danos à estrutura dos prédios centenários, geralmente construídos em pau-a-pique, adobe e outros materiais mais frágeis”, disse o capitão. A expectativa é de que o veículo entre em operação em março. A gerente de Ação Preventiva do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha/MG), Daniele Rossato, considera fundamental o investimento em prevenção. “Edificações dos séculos 17, 18 e 19 têm material de fácil combustão, com muita madeira no piso, nas paredes e outras partes. Então, é preciso muito cuidado para evitar o fogo”, diz.
Cartilha
O superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Leonardo Barreto de Oliveira, ressalta a vulnerabilidade do patrimônio cultural, situação agravada, segundo ele, por muitas casas geminadas, fator que facilita a propagação do fogo, além de atos de vandalismo, estocagem de muito papel nos subsolos, queima de velas e até ataques a igrejas, como ocorreu há sete anos em Sabará, na Grande BH.
Ele destacou, no entanto, um ponto positivo no episódio na madrugada de sábado em Congonhas, que tem o conjunto histórico reconhecido como patrimônio da humanidade pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco). “O incêndio começou antes das 4h, um vigia deu o sinal de alerta e os bombeiros chegaram a tempo”, disse Leonardo, certo de que, se houvesse uma unidade da corporação na cidade, os efeitos seriam praticamente nulos.
O superintendente do Iphan adiantou que uma cartilha de prevenção de incêndios, feita em parceria com o Corpo de Bombeiros, voltará a ser distribuída nas cidades históricas, como forma de conscientizar a população e garantir a integridade do acervo. Em Minas, há 45 cidades com monumentos tombados pelo Iphan, das quais 10, incluindo Paracatu, no Noroeste, com conjunto arquitetônico sob proteção.
O prefeito de Congonhas, Anderson Cabido (PT), também presidente da Associação das Cidades Históricas de Minas, informou que o laudo dos peritos do Instituto de Criminalística sobre o incêndio de sábado deverá ficar pronto em 30 dias. Ele se mostra preocupado com o pequeno número de unidades de combate ao fogo no interior e explica o que ocorreu na negociação entre os bombeiros e a cidade que administra. “Os entendimentos foram feitos no fim do ano passado. Fomos procurados pela corporação e, como parte no convênio, teríamos que construir um quartel, que custaria R$ 2 milhões ao município. Agora, já identificamos uma área e vamos retomar o entendimento para firmar a parceria.”
Poucos dias antes do incêndio, o Centro Histórico já havia sido ameaçado pelo fogo – na sede da Rádio Cultura, também perto da Basílica do Senhor Bom Jesus do Matosinhos e das capelas com esculturas de Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1730-1814). Felizmente, as chamas, que começaram em um terreno coberto de capim seco, foram debeladas antes de causar danos.
Em nota, o governo de Minas informa que tem feito investimentos para melhorar o atendimento dos Bombeiros à população. Em 2002, a corporação tinha 355 carros e, hoje, tem 1.067. São 6,4 mil homens, sendo 1,5 mil formados na semana passada. Em todo o estado, há 47 unidades (frações). As próximas serão inauguradas em Januária, no Vale do São Francisco, e em Formiga, na Região Centro-Oeste.
Monumentos importantes de Minas já foram vítimas do fogo. Em1999, a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, do século 18, no Centro Histórico de Mariana, foi parcialmente destruída, sendo necessária uma campanha para restaurá-la. Em 2003, foi a vez do Hotel Pilão, instalado em um prédio do século 19, na Praça Tiradentes, em Ouro Preto, arder completamente. A solução foi reconstituí-lo para fins culturais.
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Fonte: Portal UAI

Um incêndio destruiu duas construções com cerca de 150 anos na cidade histórica de Congonhas, na Região Central de Minas, na madrugada deste sábado. De acordo com moradores, por pouco, o fogo também não atingiu a capela da Flagelação que faz parte do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos. Na capela, estão guardadas obras do mestre do Barroco, Aleijadinho.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, o fogo teria começado por volta das 4h30 da madrugada e consumiu completamente duas lojas de artesanato no Beco dos Canudos. Os bombeiros chegaram ao local cerca de 45 minutos depois de acionados. As construções destruídas tinham cerca de 50m2 e comercializavam tecidos, imagens de santos e profetas, além de oratórios e vários outros artigos religiosos. As polícias civil e militar estão no local neste momento e peritos já estão trabalhando para investigar o que provocou o incendio.
De acordo com o presidente da Camara Municipal, Eduardo Matozinhos, o Ministério Públido do Patrimônio será acionado para que sejam tomadas providências. O vereador alerta que o local passou por uma reforma há pouco tempo, mas o projeto de proteção não incluiu hidrantes. “O patrimônio histórico está ameaçado por causa do descaso. Por pouco não perdemos obras do mestre Aleijadinho, de valor incalculável para a comunidade e para a história”, disse Eduardo Matozinhos.
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Fonte: Portal UAI
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