Praça da Liberdade começa a ganhar ares de centro cultural

De Secretaria de Estado de Defesa Social a Centro Cultural do Banco do Brasil. Começou na sexta-feira o trabalho de restauração e adaptação do prédio que abrigava o órgão de segurança para ser integrado ao Circuito Cultural Praça da Liberdade. Como o término da obra está previsto para o fim de 2011, o edifício será o último a ser entregue ao novo complexo da praça, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte.Teatro com 300 lugares, seis salas de exposição, cafeteria, sala de programa educativo, sala multimeios, loja de produtos culturais e área administrativa, tudo em mais de 12 mil metros quadrados. “Minas Gerais tem uma diversidade cultural incrível, mas falta um lugar que reúna tudo: dança, música, pinturas e outras artes. É a chance de transformar BH em um polo cultural”, defende o secretário de Estado de Cultura, Paulo Brant.
Frequentadores da praça, crianças atendidas por projetos sociais e autoridades pararam na manhã de sexta-feira para assistir à inauguração das obras. Representantes do banco e do governo assinaram o acordo que prevê a criação do centro cultural e apresentaram as mudanças que serão feitas no imóvel, construído entre 1926 e 1930 numa feliz mistura de estilos. Na praça, crianças aproveitaram as atividades artísticas. Pintaram e assistiram a encenações teatrais. Grafiteiros dos grupos Valores de Minas e Fica Vivo e artistas da Escola de Guignard deram cores aos tapumes que cercam as obras. E, para fechar o evento, engravatados e crianças se juntaram para abraçar o prédio que abrigará o centro cultural.
A edificação não será alterada significativamente. Marcelo Pontes, um dos arquitetos responsáveis pelo projeto, explica que a intenção é instalar dispositivos tecnológicos sem agredir a arquitetura. “Paredes vão esconder as novas instalações. O objetivo é adequar o prédio para a obras artísticas. Por exemplo, não há ar condicionado, essencial para proteger uma arte”, diz. Elementos do projeto original do prédio, modificados em várias reformas, serão restaurados. É o caso do piso da entrada, que está coberto com carpete e terá mármore novamente. Outros espaços serão remanejados, como o pátio central, antigo estacionamento que passará a abrigar exposições temporárias.
O centro cultural será instalado em parceria entre o Banco do Brasil, que arca com os custos da obra e da manutenção, e o governo do estado, que cede o espaço. Os investimentos do banco estão estimados em R$ 21 milhões, valor que inclui gasto com mobiliário, iluminação, instrumentos musicais e programação. A restauração do prédio será supervisionada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha). A inauguração da primeira etapa das obras e abertura ao público estão previstas para novembro de 2011. Há centros culturais do Banco do Brasil em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, que, em 2008, levaram mais de 720 projetos a um público superior a 4 milhões de visitantes.
História
O prédio, que faz parte do conjunto histórico da Praça da Liberdade, foi projetado pelo arquiteto Luiz Signorelli e teve sua construção iniciada em 1926. Foi idealizado para abrigar a Secretaria de Segurança e Assistência Pública. O arquiteto, também responsável por obras como a sede do Automóvel Clube (1929) e o Teatro Francisco Nunes (1947), o projetou de forma que não destoasse das outras edificações da praça, compondo diversos estilos arquitetônicos, como gótico, barroco e neo-clássico. O edifício, que sediou também a Secretaria do Interior, era sede da Procuradoria Geral do Estado e da Secretaria da Defesa Social antes do início das obras do circuito cultural.
A proposta de transformar os prédios em complexo cultural foi anunciada em março de 2005. Ao todo, 10 prédios integram o Circuito Cultural da Praça da Liberdade. Na primeira etapa do projeto, com inaugurações previstas ainda para este ano e para 2010, serão abertos ao público o Espaço do Conhecimento (na antiga reitoria da UEMG), o Museu de Minas e do Metal (na Secretaria de Estado de Educação), o Memorial de Minas Gerais (na Secretaria de Estado de Fazenda), o Centro de Arte Popular (no Hospital São Tarcísio, do Ipsemg), o Centro Cultural Banco do Brasil (na Secretaria de Estado de Defesa Social) e o Palácio da Liberdade. Numa segunda fase, será definido o destino dos edifícios da Secretaria de Viação e Obras Públicas – hoje sede do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha) –, do Palacete Dantas (atual Secretaria de Estado de Cultura), do Palácio dos Despachos e do Edifício da Previdência.
Quem quiser uma prévia do que será o circuito cultural pode conferir a exposição montada na alameda central da Praça da Liberdade. Maquetes, vídeos, fotos, textos e mapas apresentam ao público detalhes do projeto. A mostra pode ser visitada até 9 de setembro, com entrada franca, das 9h às 17h.







