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Ponte de Pedra em ruínas

DefenderNotíciasRio Grande do Sul • 28 de janeiro de 2010 por Silvana Losekann

Vista aéra da Ponte de Pedra em 2000 - Cachoeira do Sul/RS - Foto: Colortec

Parte da murada de proteção da Ponte de Pedra, na localidade de Forqueta, acabou caindo entre esta segunda e terça-feira. Cerca de um sexto da ponte acabou ruindo e despencando dentro do Rio Botucaraí, deixando uma cratera inclusive na estrutura, pois além da murada, parte das pedras da ponte acabaram descendo água abaixo. A Ponte de Pedra, que em 2009 completou 160 anos, já vinha sofrendo com as fortes cheias do Botucaraí há vários anos.

Ontem, a notícia da queda de parte da estrutura da ponte acabou se espalhando e motivando algumas famílias a irem visitar o local, que fica a 12,5 quilômetros do centro de Cachoeira do Sul e com estradas de acesso em péssimas condições. A auxiliar de máquinas, Olga Barros Marques, 48 anos, foi uma das visitantes. Olga ficou sabendo da queda da estrutura durante a manhã e à tarde foi conferir os estragos. “Veraneio aqui há mais de 15 anos. Estava apenas esperando entrar em férias para vir para cá. Quando fiquei sabendo logo quis ver o que tinha acontecido. Sei que não vai ser fácil arrumar esta ponte de volta, mas seria muito importante. Aqui é o melhor lugar que existe para veranear. Nós valorizamos este lugar. Infelizmente, quem não valoriza é a Prefeitura”, lamenta Olga.

Parte da estrutura da Ponte de Pedra foi destruída pelas intensas chuvas...

...abrindo um imensa cratera na história de Cachoeira do Sul e do Rio Grande do Sul.

Seqüência das três fotos: Telmo Padilha Cesar

Solo arenoso – O aposentado Ivo Ribeiro, 63 anos, morador da casa mais próxima à Ponte de Pedra, cerca de 500 metros, mora efetivamente há cinco anos no local, mas tem propriedade há mais de 30. Ele conta que a erosão em volta do patrimônio, que tem o solo bastante arenoso, já vem acontecendo há vários anos mas vem se agravando com as fortes enchentes, principalmente as enchentes do final de 2009 e início de 2010. Ribeiro ressalta que chegou inclusive a plantar árvores e taquareiras na beira do Rio Botucaraí para evitar a ação da força das águas, mas sua iniciativa foi destruída pelos visitantes da Ponte de Pedra e também pelo próprio rio.

Elo entre Cachoeira e o progresso

Para grande parte da população, falar da Ponte de Pedra é apenas lembrar de um monumento antigo e ilustrativo de cartões postais. Porém, a pesquisadora e diretora do Núcleo Municipal da Cultura, Mirian Ritzel, observa que a história da Ponte de Pedra se funde à história do crescimento e progresso do município. Ela ressalta que a Ponte de Pedra foi construída pelo Governo Imperial e portanto, é uma ponte de interesse nacional. Mirian conta que os primeiros pedidos de construção de uma ponte no Passo Real do Botucaraí são de 1832, antes da Revolução Farroupilha, mas o pedido acabou ficando de lado diante dos transtornos de guerra. Apenas após o fim da revolução (1845) é que há novos registros. Em 1847 aparece o primeiro pedido de planta e orçamento para sua construção. “É possível que a obra tenha sido acelerada pelo Império como uma forma de recompensar o estado pelas perdas de 10 anos de guerra. O governo se sentia em dívida com o povo gaúcho”, acredita Mirian. Ela ressalta também que a ponte se transformou em um elo de ligação do município com o progresso, já que era a única saída para Rio Pardo e Porto Alegre.

Compahc, Defender e NMC juntos por uma solução

Encontrar uma solução rápida e eficiente para o problema na Ponte de Pedra, que é apenas inventariada, é o objetivo do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico de Cachoeira do Sul (Compahc), da Oscip Defender e do Núcleo Municipal da Cultura (NMC). O produtor cultural e coordenador de projetos da Oscip Defender, Telmo Padilha, acredita que o desabamento parcial da Ponte de Pedra, apesar de se tratar de um desastre ambiental, já era perfeitamente previsível. O fato novo, é a possibilidade do seu desaparecimento total, se não houver um conjunto de ações imediatas e emergenciais para evitar maiores danos. O presidente da Compahc, Miguel Felippe de Moraes, explicou que ontem mesmo iria começar a buscar contato com os integrantes do Instituto do Patrimônio Histórico Estadual e Nacional para se orientar e buscar auxílio técnico sobre o que fazer para evitar maiores danos e buscar restaurar o que estragou.

Entre as medidas imediatas, segundo Padilha e Moraes, está o escoramento da estrutura, recolhimento dos fragmentos que ainda podem ser aproveitados em caso de restauração, da limpeza do Rio Botucaraí e envolta da ponte e de sua imediata interdição ao público. “Apesar do acesso difícil,  as pessoas vão ao local buscar lenha, retirar areia e visitá-lo. Agora, há um sério risco de desabamento e perda total da estrutura”, lamentou Padilha. A diretora do Núcleo da Cultura, Mirian Ritzel, afirmou estar desolada com a notícia da destruição de parte da Ponte de Pedra. Ela se comprometeu a auxiliar e intermediar no que for possível para que o problema tenha uma solução rápida. “O Compahc precisa fazer este comunicado oficialmente para a Prefeitura para que a secretaria de Obras entre firme neste trabalho e também nesta ação de interdição ao público. Além disso, é preciso de uma mobilização comunitária”, observa Mirian.

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Fonte: Jornal do Povo e Defender

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