Você está aqui: Home » Nacional » Polêmica – Padre apaga imagens e frases diabólicas de igreja

Polêmica – Padre apaga imagens e frases diabólicas de igreja

NacionalNotícias • 17 de dezembro de 2009 por Silvana Losekann

10 de dezembro de 2009

Religioso reacende discussão em Itajobi ao fazer reforma de prédio.

Quase 25 anos depois de uma polêmica pintura da igreja matriz de Itajobi, a 70km de Rio Preto, ter ido parar no Fantástico da Rede Globo, uma nova reforma do prédio agita os 15 mil habitantes da cidade.

O atual padre responsável pela paróquia, José Anderson Rodrigues, 31, decidiu pintar novamente a igreja. Com isso, ele apagou todas as imagens e mensagens criadas na década de 80 pelo antigo pároco Osmar Ticianelli, e pintadas pelo artista espanhol José Sanches, que residia em Tanabi.

As imagens criadas pelo padre Ticianelli chocavam fiéis mais sensíveis. Misturavam cenas do céu e do inferno com crueza incomum. Nos quadros da via-crúcis, por exemplo, em que Jesus carrega a cruz até o monte Gólgota, onde será crucificado, o diabo espreita seu suplício. E no quadro em que Cristo cai sob o peso do madeiro, o demônio ri e comenta: “Jesus nojento.”

Próximo ao altar ficavam desenhos de dois corações com as inscrições: “Mulher de um homem só é mãe.” “Mulher de vários homens é puta.”

A imagem mais polêmica, que Ticianelli criou como “recado” do diabo aos fiéis, ficava sobre a porta principal, à saída da igreja: “Não volte mais aqui, e esqueça Deus. Vá, e minta, e fale mal, e roube, e calunie, e tapeie, e odeie, e puteie.”

Para o padre Anderson, que está há cinco anos à frente da matriz, a eliminação da pintura foi uma decorrência da reforma que ele empreendeu na igreja. “A igreja vai completar cem anos e a fiação ainda é da primeira metade do século passado, com fios encapados com pano. Há extensões de até cinco metros de fios desencapados, com ameaça de curto circuito e de incêndio”, justifica. “Além disso, as paredes estavam com infiltrações. Foi preciso quebrar o reboco e pintar de novo. Só pelas imagens, eu não apagaria.”

População apóia e critica

Nos anos 1980, o padre Osmar Ticianelli apagou a pintura original da igreja matriz e provocou enorme repercussão na paróquia. Agora, o atual pároco, padre Anderson, é vítima das reclamações.

“Ele não podia apagar. No mínimo, tinha de consultar os paroquianos”, reclama o agricultor aposentado Júlio Gonçalves, 71. O também aposentado Ivo Polimeno, 76, chega a garantir que o projeto de Ticianelli era inspirado na basílica de São Pedro em Roma.

Padre Anderson admite que há oposição à reforma da igreja. “Mas são só três ou quatro famílias que eram mais ligadas ao padre Osmar.” Já o radialista e jornalista José Cotrin apóia a pintura. “Eram mensagens muito agressivas.”

Anderson contratou a religiosa Laide Sonda, arquiteta com especialização em arquitetura litúrgica e arte sacra, para o projeto de reforma.

17 de dezembro de 2009

Juíza suspende reforma na igreja das cenas diabólicas

Pedido de promotor é atendido e Iphan vai analisar caso.

A juíza Maria Heloísa Machado suspendeu a pintura e a reforma da igreja matriz de Itajobi até que seja definido pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) se o interior da igreja tem relevância cultural.

A juíza atendeu pedido formulado em ação civil pública pelo promotor José Márcio Rossetto Leite, que é de Olímpia, mas acumula função em Itajobi.

A igreja ganhou notoriedade pelas mensagens polêmicas pintadas em seu interior, incluindo “recados” do diabo aos fiéis.

“Assim que o BOM DIA e a TV TEM noticiaram que as imagens no interior da igreja estavam sendo cobertas por tinta branca, moradores procuraram a promotoria para pedir providências. Mas a pintura já estava adiantada”, afirmou nesta quarta-feira o promotor José Márcio.

A juíza Maria Heloísa Machado participou da conversa com representantes da igreja na sexta-feira. “Pedimos informação para saber se houve autorização ou se foi uma decisão unilateral do padre. Nem precisou ser deferida a liminar porque a própria igreja atendeu ao nosso chamado e parou de pintar a igreja.”

O promotor adiantou que se as obras de arte não tiverem relevância, a obra será autorizada porque a igreja precisa de reformas.

Polêmica
As imagens pintadas no interior da igreja eram dos anos de 1980. Uma delas, à saída do templo, era um suposto recado do demônio e mandava o fiel pecar, empregando a expressão “puteie”.

Itens Relacionados

Fonte: Rede Bom Dia

Notícias

Turismo Cultural Sustentável – Insumos, teoria e prática

Iperó/SP – Jovens de Iperó são responsáveis pelo restauro de prédios históricos

Porto Alegre/RS – Exposição de aquarelas de Arte Funerária realizadas pela artista Laky Gatti


Artigos

Memória urbana

Ensinamentos de Jean-Michel Cousteau

Museus – a excelência gaúcha


Acompanhe as novidades da defender no twitter: @patrimonio

Google Reader