Pesquisador da Unisinos recebe prêmio nacional do Iphan por trabalho de preservação da história

O padre Pedro Ignácio Schmitz se considera um homem de sorte. Aos 80 anos, ele já soma 50 anos de dedicação à arqueologia brasileira e nem pensa em parar. A energia vem de um currículo recheado de descobertas de casas subterrâneas, cemitérios e até montes de lixos de tribos indígenas que habitaram terras brasileiras há mais de 10 mil anos.
Tamanha curiosidade, dedicação e sorte – como ele faz questão de enfatizar –, foram agraciadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), na semana passada, no Teatro Nacional de Brasília. O prêmio que lhe foi concedido leva o nome de seu maior incentivador, Rodrigo Melo Franco de Andrade.
Ao agradecer, o padre Ignácio lembrou o apoio que recebeu de Andrade no início da carreira, na década de 60, quando a arqueologia dava seus primeiros passos no Brasil.
– Naquele tempo não havia arqueologia no Brasil, era um trabalho amadorístico, movido pelo entusiasmo, na coragem – relata o pesquisador.
O resultado do trabalho dele está arquivado no Instituto Anchietano de Pesquisas, em São Leopoldo, de ontem o padre inspira novas gerações, como a catarinense Daniela da Costa Claudino, 25 anos, mestranda em História, que percorre a distância entre Tubarão (SC) e São Leopoldo, toda a semana, para uma manhã de orientação com o professor – que em meio às pesquisas ainda é titular do Programa de Pós-graduação da Unisinos.
– Ele é hoje o maior arqueólogo do Brasil, por isso eu venho aqui todas as semanas – explica a mestranda.
O prêmio
- Editado anualmente pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade foi instituído em 1987, em reconhecimento à proteção do patrimônio cultural brasileiro.
- Padre Pedro Ignácio Schmitz foi o vencedor de 2009 na categoria Proteção do Patrimônio Natural e Arqueológico, pelo conjunto de sua obra, que abrange a teoria, a prática e o ensino da arqueologia.






