• Parque da Guarita é cartão de visitas da praia de Torres

    NotíciasRio Grande do Sul • 10 de janeiro de 2009 por

    O ambientalista José Lutzenberger foi um dos defensores da preservação da área.

    Mar, sol e areia limpa. Um local desejado por qualquer pessoa e, se junto com esses três elementos vier o ecoturismo, o veraneio fica melhor ainda. É isso que os veranistas encontram ao visitar o Parque Nacional da Guarita, em Torres, no Litoral Norte. A área é de grande interesse turístico e paisagístico, tendo no seu interior locais como morros, banhados e faixa de praia preservados, conforme explicou o biólogo Rivaldo Raimundo da Silva, da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMMA). O lugar encanta por sua beleza natural, com diversidade de flora e de fauna.

    Em uma área de 141.709 metros quadrados estão três das quatro torres (morros) – Torre do Meio, da Guarita (a menor delas) e Sul – que fazem parte da paisagem do município. A única elevação fora do perímetro do parque é a Torre Norte, conhecida popularmente como Morro do Farol. Essas formações rochosas, que remontam à pré-história, acabaram dando o nome ao município.

    O Parque da Guarita foi criado em 1971 graças ao empenho de ambientalistas locais – liderados por José Antônio Lutzenberger, que trouxe o paisagista Burle Marx para ajudá-lo. O objetivo era proteger todo o cenário ali existente, de grande valor ambiental e paisagístico. O lugar, embora seja estadual, está sob responsabilidade do município. Em 1996, a então Companhia Rio-grandense de Turismo cedeu à Prefeitura de Torres o Parque da Guarita, o Camping Itapeva e o Terminal Turístico. Os dois últimos foram devolvidos ao Estado em 2003. Segundo Rivaldo Raimundo da Silva, em 2005 o parque passou a ser administrado pela SMMA, a partir de um termo de cessão, por um prazo de dez anos, assinado com a Secretaria Estadual de Turismo.

    O parque é procurado por turistas brasileiros e estrangeiros, em especial argentinos. A área possui uma grande importância cultural e econômica, sendo referência no lazer ambiental. Anualmente, cerca de 30 mil pessoas visitam o local. O Parque da Guarita fica aberto diariamente das 8h às 20h e os ingressos custam R$ 3,00 para automóveis; R$ 1,00 para motos; R$ 15,00 para vans, microônibus e motor-homes; e R$ 25,00 para ônibus. Veículos com placas de Torres estão isentos do pagamento de entrada.

    Visita do imperador orgulha moradores

    O município de Torres é um dos núcleos mais antigos do Rio Grande do Sul. Glamourosa, a cidade se orgulha de ter recebido visita do imperador D. Pedro II. Na divisa com Santa Catarina, Torres recebe turistas das mais variadas partes da América do Sul. A história da cidade, segundo histotiadores, começa com os índios.

    O local era habitado pelos índios carijós de Santa Catarina e Arachanes, do RS, que em seu comércio de trocas usavam um caminho costeando os banhados dos sopés internos das torres, começando na Praia Grande, até a de Itapeva. Depois do ano de 1500, estas trilhas abertas em meio a matagais começaram a ser usadas também por paulistas compradores de índios, que os levavam a São Paulo como escravos. Os caminhos transformaram-se no principal elo de ligação entre o resto do Brasil e os núcleos avançados do povoamento português, na Colônia do Sacramento (1679) e no Presídio de Rio Grande (1737).

    Desses tempos, hoje só existem mesmo os museus e a apreciação dos antigos casarios, como os do Morro do Farol, onde pernoitou o imperador. Nos dias atuais, a praia e as belezas naturais é que atraem os visitantes, moradores e veranistas. A Praia Grande, que contempla uma belíssima faixa com algumas dunas, rivaliza em preferência com a Prainha e a Praia da Cal.

    Morro tem a idade dos dinossauros

    A formação geológica do Parque Nacional da Guarita remonta a 250 milhões de anos. A Pedra da Guarita – a menor das torres – com aproximadamente 25 metros, é constituída por duas unidades diferentes. Conforme o geólogo Rivaldo Raimundo da Silva, da Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Torres, na base do morro há o arenito Botucatu de coloração avermelhada e origem eólica (depositado pelos ventos). No topo, há material de origem vulcânica. O arenito Botucatu se formou entre 200 milhões e 145 milhões de anos, no período Jurássico, e representa um ambiente desértico que se estendia do que hoje é a região Sul do Brasil até onde está o Estado de São Paulo. Já o Basalto foi depositado sobre o arenito quando ocorreu aquele que é considerado o maior evento vulcânico fissural do mundo, com sucessivos derrames de lavas em todo o RS – entre 250 milhões e 65 milhões de anos – durante a chamada Era Mesozóica, a Era dos Dinossauros.

    Fonte: Correio do Povo
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