Obra revela piso original do Mercado de Pelotas
As obras de restauro do Mercado Central de Pelotas revelaram uma surpresa à equipe que trabalha no local. Durante a prospecção das fundações do prédio, os arquitetos se depararam com um segundo piso abaixo do piso atual, revestido em ladrilhos hidráulicos. O antigo piso está a uma profundidade de 30 centímetros em relação ao atual, o que requer o acompanhamento da obra por um arqueólogo. O trabalho deve ter início ainda nesta semana, com a participação do professor Fábio Cerqueira, do Laboratório de Ensino e Pesquisa em Antropologia e Arqueologia (Lepaarq), da UFPel. Entre os desafios dos arqueólogos está o de descobrir se o piso data da fundação do prédio ou faz parte da última reforma pela qual passou o local.
Segundo o coordenador do Lepaarq, Fábio Cerqueira, o acompanhamento arqueológico já estava previsto no projeto. ”A descoberta não implicará a necessidade de parar a obra. Temos que descobrir agora, por pesquisa histórica oral, em que época os ladrilhos foram ‘cobertos’ pelo novo piso.” A princípio, a surpresa histórica deve continuar ”guardada”, como esteve até agora. ”O ideal seria deixá-lo aparente em alguns locais e expor outras partes no futuro museu arqueológico”, diz.
O arquiteto Fábio Caetano, do programa Monumenta, explica que os pedaços em dois pontos distantes um do outro indicam que as peças históricas possam estar sob toda a extensão do atual piso. Também é possível que os ladrilhos tenham sido conservados (não removidos) só ao redor dos pilares originais de ferro, onde foram encontrados, para não prejudicar a fundação e não danificar a estrutura do pilar, evitando comprometer toda a sustentação.
A equipe do Monumenta se reunirá para definir o que será feito. ”Não vamos poder rebaixar todo o piso ao nível do original, até porque não há previsão orçamentária para a sua remoção. No momento isso é inviável”, afirma Caetano. As possibilidades avaliadas são de se fazer uma janela de prospecção (um vidro colocado sobre o local para exposição aos visitantes) ou remover as partes encontradas para um espaço museológico. Conforme o arquiteto, a obra não pode parar devido à descoberta. Ele destaca que foi uma surpresa a descoberta desses elementos antigos. ”Não se tinha noção de como era o piso antigo. Só tínhamos fotos em preto e branco do conjunto todo, nada específico. Agora tem-se certeza que o piso era de ladrilhos hidráulicos em formas geométricas e três cores: branco, vermelho e verde.” Caetano explica que o novo piso a ser colocado já está escolhido, mas nada impede que se estude a viabilidade econômica de fazer uma réplica do original. A intenção agora é trabalhar com a equipe da UFPel para definir o melhor a fazer com os ladrilhos encontrados.
Com mais de um mês de obras, a aparência interna do Mercado Central já mudou radicalmente. Após a demolição das antigas bancas, a estrutura metálica original do prédio ficou à mostra, inclusive alguns detalhes antigos da construção, como um imenso sino, localizado na cruz central. Segundo os arquitetos do programa Monumenta, as obras seguem o ritmo normal e obedecem ao cronograma estabelecido. Segundo Caetano, a ideia é fazer com que o local volte às origens. A próxima etapa da obra inclui a remoção da cobertura, que deve ser elevada em 1 metro, além da instalação de venezianas e vidros, que devem garantir a ventilação e a iluminação interna.






