Igreja do século 18 reabre as portas em Congonhas

Devotos de Nossa Senhora da Soledade residentes no distrito de Lobo Leite, em Congonhas, na Região Central, a 89 quilômetros de Belo Horizonte, contam os dias para participar da festa da padroeira, celebrada tradicionalmente no segundo domingo de julho. Depois de esperar dois anos e meio pelo restauro da igreja em honra da santa, a comunidade vai poder, desta vez, participar de missas, acompanhar novenas e sair em procissão do templo católico do século 18, que já está totalmente pronto. “Estávamos precisando da obra. Esse patrimônio é referência para todos, faz parte da nossa história”, diz o representante da associação comunitária local, Geraldo Fernandes, de 56 anos.
A entrega oficial da igreja, tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha-MG) desde 1978, será este mês, embora a data não esteja marcada. Mesmo assim, os moradores começam a celebrar, conferindo todos detalhes da intervenção que contemplou a parte estrutural, a cobertura e os elementos artísticos internos em policromia e da fachada de pedra. “A última obra foi em 1956, portanto, havia urgência. Durante todo o período em que a igreja ficou fechada, tivemos que assistir às missas numa escola, mas, agora, estamos bem felizes”, afirmou Geraldo. O projeto e a execução ficaram a cargo da Fundação de Arte de Ouro Preto (Faop), vinculada ao sistema estadual de cultura, com patrocínio da empresa Gerdau/Açominas, por meio da lei de incentivo à cultura.
A coordenadora da obra, Carla Santana do Nascimento, da Faop, explica que havia uma série de problemas na construção, a exemplo de cupins, camadas de pinturas nos painéis do forro sob o coro, acúmulo de fuligem, entre outros. “Tivemos de fixar de novo a policromia nos locais onde havia muita perda, substituir madeiras, remover as repinturas e outros serviços, além das obras civis”, diz Carla.
Ela destaca o estilo rococó presente nos elementos artísticos: “O rococó é simples, não tinha a exuberância do barroco nos períodos joanino e nacional português, mas, no caso da Igreja de Nossa Senhora da Soledade, é muito rico”. Outra característica está na presença, na fachada, da pedra de cantaria como elemento de decoração, “o que não é muito comum”, assim como a sineira do lado de fora, avalia a coordenadora.
As celebrações de maio, a exemplo das coroações de Nossa Senhora, já ocorreram na igreja, conta Geraldo, que guarda boas lembranças – “fui batizado, fiz a primeira comunhão e casei aqui” – e algumas de causar revolta. No segundo caso, está o furto de imagens ocorrido em 1981 e 1994, até hoje sem solução. “Até a imagem da padroeira foi roubada (1994), por isso há uma réplica no altar”, afirma. Depois da recordação triste, a alegria volta ao rosto, quando Geraldo mostra a pia batismal datada de 1724, na qual teria sido batizado o inconfidente cônego Luiz Vieira da Silva. “Se a pia é dessta época, imaginamos que a edificação também seja do início do século 18”, acredita. A novena em honra da santa vai começar em 3 de julho.







