Você está aqui: Home » Defender » Ferreira agora é história

Ferreira agora é história

DefenderNotíciasRio Grande do Sul • 31 de janeiro de 2009 por Silvana Losekann

Oscip Defender já pode agir pelo futuro centro cultural.

O prefeito Sérgio Ghignatti decretou o tombamento do sítio da estação ferroviária do distrito de Ferreira, processo que impede obras no imóvel em desacordo com a lei federal de restauro. O tombamento não é apenas das ruínas da estação férrea e compreende a área onde o imóvel foi erguido. O presidente do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural (Compahc), Miguel Felippe de Moraes, explica que na prática o decreto coíbe novas construções irregulares no terreno da estação férrea e prevê a retirada de casas já erguidas na área. “Porém, as famílias que hoje habitam o terreno ilegalmente serão assentadas pelo Município e só depois terão suas casas derrubadas”, explica Moraes, comentando sobre o que ficou acertado na última reunião do conselho com o prefeito.

Além do Compahc, quem está comemorando a publicação do decreto é a Oscip Defender, organização que tem projeto cultural para a estação férrea.

A proposta da Defender é buscar patrocínio para recuperar o prédio e transformá-lo em um centro cultural com biblioteca, sala de cinema, computadores com internet e museu. No pátio a ideia é construir uma quadra de esportes. “O centro cultural e esportivo será um presente para a comunidade de Ferreira. Os moradores do distrito estão mobilizados pela obra e já fizeram até um abaixo-assinado pela preservação da antiga estação ferroviária”, destaca Felippe de Moraes.

Processo – O processo de tombamento da estação férrea iniciou em outubro do ano passado, no final do Governo Marlon Santos. Até o parecer jurídico favorável ao tombamento foi emitido, faltando apenas a assinatura do prefeito. “Mesmo assim, Marlon arquivou o decreto e tivemos de reabrir o processo junto ao novo prefeito, Sérgio Ghignatti. Estamos levando fé no Ghignatti. Pelo que vimos ele será um defensor do patrimônio histórico e cultural de Cachoeira”, elogia o presidente do Compahc. A estação férrea de Ferreira é o 11º imóvel tombado de Cachoeira do Sul.

A história da ferroviária de Ferreira

- A Estação Ferroviária de Ferreira foi construída com autorização de um decreto de 1873 que implantou a linha de trem Porto Alegre-Uruguaiana. A estação foi inaugurada em 13 de outubro de 1885.

- Com as mudanças efetuadas na linha e com a construção da Ponte do Fandango, a estação acabou abandonada e sofrendo um avançado estado de degradação devido à ação do tempo e falta de manutenção do imóvel.

- A estação férrea tem 123 anos e faz parte do inventário do patrimônio cultural de Cachoeira do Sul desde 1983, mas está em ruínas.

- O prédio da estação férrea está em completo abandono: paredes pichadas e desenhadas, telhado quase inexistente e escadaria interna com cupins.

Qual a importância de um prédio ser tombado?

O título de tombado garante legalmente que um bem histórico tenha suas características mantidas e possibilita que a restauração possa ser feita com recursos de leis de incentivo à cultura do Estado e da União.

Os 11 bens tombados de Cachoeira do Sul:
Paço Municipal
Unibanco
Coliseu
Casa da Aldeia
Barãozinho
Câmara de Vereadores
Casa de Cultura
Escola do HCB
União de Moços Católicos
Catedral Nossa Senhora da Conceição
Sítio da estação férrea de Ferreira

Como a Defender recebeu a notícia do tombamento do sítio da estação férrea de Ferreira?

“O tombamento tem vários aspectos relevantes. Primeiro citamos o resgate de uma área histórica que estava abandonada, em agudo processo de degradação e risco de perda total. O tombamento também reconhece a mobilização da comunidade de Ferreira que promoveu um gigantesco e inédito movimento em defesa da sua história e do seu patrimônio cultural. O decreto ainda aplaude e reconhece o trabalho do presidente do Compahc, Miguel Felippe de Moraes, que carrega nos ombros, de forma voluntária, este conselho. O tombamento do sítio foi um ato de sensibilidade do prefeito Ghignatti e nos permite realmente começar a valorizar a nossa rica e esquecida história”, responde o presidente da Defender, Carlos Eduardo Dreyer.

Itens Relacionados

Fonte: Jornal do Povo

Notícias

Turismo Cultural Sustentável – Insumos, teoria e prática

Iperó/SP – Jovens de Iperó são responsáveis pelo restauro de prédios históricos

Porto Alegre/RS – Exposição de aquarelas de Arte Funerária realizadas pela artista Laky Gatti


Artigos

Memória urbana

Ensinamentos de Jean-Michel Cousteau

Museus – a excelência gaúcha


Acompanhe as novidades da defender no twitter: @patrimonio

Google Reader