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Desbravadores da história e da vida

NacionalNotícias • 31 de maio de 2009 por Silvana Losekann

Jovens da Oficina Escola são responsáveis pela revitalização do Centro Histórico. Recriam com o trabalho, a própria vida.

Charles Bruno foi pai aos 14 anos de idade e tratava a todos com muita rebeldia, passando a maior parte de sua vida pelas ruas, dividindo espaços com os vândalos. Por ser usuário de drogas, o seu histórico escolar não era aceito nos colégios por onde tentava se matricular. A primeira atividade que exerceu foi a de tatuador, o que lhe dificultou obter um emprego formal.

Hoje, essas referências servem apenas de lembranças de um passado não muito bom, mas superado graças a sua iniciativa de querer mudar a própria história.

O primeiro passo foi o incentivo de uma ex-namorada que o levou a frequentar uma igreja evangélica em João Pessoa, onde ele pode conhecer a palavra de Deus, como faz questão de frisar. Depois, foi a oportunidade que teve ao ser selecionado como um dos 70 alunos da Oficina Escola de Revitalização do Patrimônio Cultural de João Pessoa. A formação e qualificação profissional na área de recuperação de prédios e monumentos históricos é objetivo da entidade. Mas, o principal trabalho de recuperação tem sido mesmo na vida dos jovens estudantes que aprendem na Oficina Escola as técnicas para inserção no mercado da construção civil, e vão além, em busca de transformar a própria vida.

Há um ano, Charles Bruno, de 22 anos, aprende a técnica de marcenaria geral, um dos cursos oferecidos pela instituição. “Eu não sabia falar com educação, era cheio de gírias, não dava atenção aos meus pais nem às minhas filhas. Vivia na baderna, pensando só em festas, nessas coisas sem futuro. Hoje a minha família é tudo pra mim. Graças, primeiro a Deus e, depois, às oportunidades que tenho aqui. Hoje eu sou uma pessoa renovada”, relatou Charles.

Deste modo, a Oficina Escola atua na capacitação de jovens de baixa renda para intervir fisicamente nos monumentos e áreas urbanas do Centro Histórico de João Pessoa, com o objetivo de inseri-los no mercado da construção civil. De acordo com a diretora Nahya Cajú, inicialmente, trabalhava-se com jovens de 16 a 24 anos, mas, na sequência da experiência, esse critério foi alterado, passando-se a selecionar maiores de 18 anos – por questões de ordem trabalhista e de segurança do trabalho.

Além de bolsas de estudo, correspondente a R$ 300,00, os alunos da Oficina Escola de João Pessoa têm acesso à educação, alimentação, fardamento, vale-transporte, assistência médica e psicológica, orientação profissional e recebem estímulos à auto-estima, a partir da segurança adquirida pelo próprio trabalho. A coordenadora pedagógica da Oficina Escola, Maria do Rosário Paiva, vê as mudanças de comportamento dos alunos como inexplicáveis a partir das atividades executadas na instituição.

Segundo ela, o comportamento de Charles Bruno hoje é modelo para os demais jovens. Paulo Vieira é professor da formação elementar dos jovens aprendizes. Ele afirmou que é necessário ter equilíbrio e ponderação para educar cada aluno. “Tem de ser levado em consideração o histórico familiar individualmente para alcançar resultados no aprendizado desses jovens”, afirmou .A Oficina Escolade Revitalização do Patrimônio Cultural de João Pessoa, é uma associação civil de caráter privado que mantem parcerias com o governo do estado e a prefeitura municipal de João Pessoa, além de ser resultado de um acordo firmado entre o Brasil e o Governo Espanhol.

Em agosto deste ano, a Oficina Escola completará 18 anos. Cada curso tem duração de dois anos e ao longo desse tempo já concluíram oito turmas. Na Paraíba cerca de 25 áreas e edificações de interesse histórico foram revitalizados com a ajuda dos alunos formados pela entidade, a exemplo do próprio prédio onde funciona a instituição, na antiga fábrica de Vinho Tito Silva, do Hotel Globo, do Casarão dos Azulejos, da Igreja da Misericódia e tantos outros equipamentos históricos.

O próximo trabalho dos alunos será a construção da futura Escola de Gastronomia, localizada na Rua Rosário de Lourenzo, no Varadouro, de iniciativa do Ministério do Turismo em parceria com o Governo Espanhol e Prefeitura Municipal de João Pessoa.

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Fonte: O Norte

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