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De Zumbi aos Lanceiros Negros: a luta pela liberdade

20 de novembro de 2008 por Silvana Losekann

No mês em que se comemora o Dia da Consciência Negra,  o Rio Grande do Sul lembra a contribuição dos negros gaúchos na Revolução Farroupilha  e o episódio do “Massacre de Porongos”, ocorrido 1844, zona rural de Pinheiro Machado,  onde cerca de cem  “lanceiros negros”  foram mortos pelas tropas imperiais.

O Massacre de Porongos é um dos episódios da mais longa guerra civil do brasileira que durou dez anos. Entre 1835 e 1845 houve um movimento de revolta promovida pelos ricos estancieiros (grandes fazendeiros criadores de gado) contra o Império brasileiro. Os farroupilhas tinha ideais republicanos e queriam a independência da república Rio-grandense.

Na madrugada de 14 de novembro de 1844 mais de 100 soldados negros, do exército Farroupilha, foram dizimados pelas tropas imperiais, outros 200 foram presos. Como as negociações de paz estavam muito avançadas, eles não usavam armas naquela noite e foram surpreendidos pelas tropas imperiais.

Os soldados-escravos, chamados de “lanceiros negros”, lutavam na guerra em troca da promessa de liberdade. As causas do massacre sempre gerou grande polêmica entre os historiadores. Existe mais de uma versão para o fato.

Numa delas o grupo teria sido surpreendido pela tropa imperial que objetivava somente os soldados negros, que representavam um empecilho à paz, já que o Império não concordava com a libertação dos escravos após o fim da guerra.

Outra é de que houve traição. A tropa imperial teria a conivência de alguns chefes “farrapos” que colaboraram com o ataque, pois queriam apressar as negociações de paz.

A historiadora do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Beatriz Freire, diz que o estopim da polêmica foi a carta escrita pelo Barão Duque de Caxias a um comandante do exército imperial, descoberta anos após o fim da Guerra dos Farrapos.

A carta informava que o grupo havia sido desarmado por seu líder, o General David Canabarro, e dava orientações para atacar o pelotão dos “lanceiros negros” à noite e poupar o comandante.

“No conflito poupe o sangue brasileiro quanto puder, particularmente da gente branca da Província e dos índios, pois bem sabe que essa pobre gente ainda pode ser útil no futuro”, registra o documento.

No livro “Lanceiros Negros” de Geraldo Hasse e Guilherme Kolling a ex-diretora de Proteção ao Patrimônio Afro-brasileiro, da Fundação Cultural Palmares, Bernadete Lopes, afirma que o Cerro de Porongos é tão importante quanto a Serra da Barriga, em Alagoas, onde se deu o Quilombo de Palmares. “São fatos que demonstram a coragem e a determinação do povo negro, desmentindo o comodismo com a escravidão”, disse Bernadete.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) fez um inventário de referências culturais do Massacre de Porongos. Nele foi reunida toda a documentação existente, além dos relatos da memória popular. Com o material foram feitos Cds e Livros que estão sendo distribuídos nas escolas e instituições culturais.

Para Beatriz Freire o episódio é importante para se repensar a presença negra no país e no Rio Grande do Sul, estado considerado de predominância européia, mas que tem na cultura, na história, e na religião uma forte presença negra.O instituto estuda agora a possibilidade de transformar o Cerro dos Porongos em Patrimônio Histórico, Cultural e Paisagístico Nacional.

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Fonte: Agência Brasil

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