Com Sérgio Ghignatti no Paço, engenho é esquecido

A iniciativa do prefeito Sérgio Ghignatti de construir um centro administrativo onde hoje está funcionando seu gabinete, na Rua 15 de Novembro, coloca fim a uma ideia que foi anunciada pelo menos duas vezes no Governo Marlon Santos: transformar a área do complexo Reinaldo Roesch – os engenhos – no Paço Municipal. Ghignatti fincou pé que a Prefeitura deve ficar nas suas origens e está tentando, inclusive, ressuscitar o projeto para o restauro do casarão da 15 de Novembro, bastante danificado pelas ações do tempo e que precisa de recuperação devido à precariedade de suas instalações.
Ghignatti possui um documento entregue pela Organização Defender onde há um orçamento inicial para uma consultoria. Especialistas em restauração devem fazer uma avaliação de danos do imóvel para determinar o que precisa ser feito para a recuperação. O valor da consultoria é de R$ 14.750,00 e Ghignatti já corre atrás de patrocinadores. Embora as partes nunca tenham confirmado, ainda no Governo Marlon foi alinhada uma tentativa de acerto da Prefeitura com o Unibanco – que deixaria de ser multado se patrocinasse a elaboração do projeto cultural para o restauro do casarão.
Sonho – O ex-prefeito Marlon Santos sonhava, no início de seu governo, também com a construção de um centro administrativo, porém, ele idealizava justamente a área dos engenhos para seu projeto. Ainda no início de 2005, os espaços chegaram a receber obras para abrigar um espaço cultural com diversos museus. Sem condições de investir, o projeto acabaria abortado antes do final do ano. No último ano de governo de Marlon a Prefeitura decretou de utilidade pública a área dos engenhos, mas não encaminhou a desapropriação: a intenção era alocar o Museu do Arroz e o centro administrativo naqueles imóveis. O decreto pode acabar sem efeito, já que as ideias para os espaços saíram das prioridades do novo governo.
O número
O coordenador de projetos da Defender, Telmo Padilha, diz não possuir um orçamento para o restauro do casarão, mas informa que o montante deve ser superior a R$ 5 milhões. Este valor teria de ser captado via leis de incentivo.
Importante
O prefeito Sérgio Ghignatti deixou clara sua vontade de construir um novo centro administrativo na 15 de Novembro, incluindo a restauração do casarão nas prioridades. Ghignatti diz que as definições sobre a obra estão a cargo dos engenheiros da Prefeitura.
Sonho do Museu do Arroz deve se mudar

A maior proposta da Organização Defender – a transformação do complexo Reinaldo Roesch no Museu do Arroz – parece estar também com os dias contados. A organização tenta agora viabilizar outras parcerias para tirar o sonho do papel, uma delas é o Instituto Rio-grandense do Arroz (Irga), pois seu presidente Maurício Fischer mostrou interesse na proposta. O Irga poderia ceder dois pavilhões de sua antiga sede para que a organização pudesse iniciar a implantação do museu.
O coordenador de projetos da Defender, Telmo Padilha, faz questão de ressaltar por que vislumbrava os engenhos como ponto para o museu. “Uma visão de desenvolvimento urbano valoriza a utilização da área construída dos engenhos para instalação de duas atividades de relevante valor social e cultural, a implantação do Museu do Arroz, que estamos perdendo para Alegrete, e um centro administrativo em uma área hoje degradada e que seria valorizada. O espaço é ideal por ter facilidade de estacionamento, ruas largas e ainda uma boa localização”, salientou.
Degradação – Enquanto isso, Padilha demonstra preocupação com a preservação do sítio histórico formado pelo Paço Municipal, a Praça Baltazar de Bem, o Chatodô e a Catedral Nossa Senhora da Conceição.
“Construir prédio que concentra inúmeras atividades do Município, gerando um tráfego maior, teria de qualquer forma uma necessidade futura de ampliação porque a cidade não deixaria de crescer e contribuiria para a degradação do sítio histórico que existe desde 1777”, ressalta. Padilha acredita ainda que seria menos oneroso ao Município a adaptação dos engenhos do que a construção do novo centro administrativo.






