Chapéus Cury se torna patrimônio de Campinas

Após 14 anos de estudos, Condepacc tomba a fachada e a chaminé do prédio que a empresa ocupa desde 1920.
Prestes a completar 90 anos de existência, a Chapéus Cury acaba de se tornar patrimônio histórico de Campinas. As fachadas do prédio que a empresa ocupa desde 1920 e a chaminé foram tombados pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Artístico e Cultural de Campinas (Condepacc). Os estudos visando ao tombamento estavam abertos desde 1994 e levaram em consideração a importância econômica da empresa para a cidade, sua história de indústria familiar e a participação no desenvolvimento urbano de Campinas.
A empresa é conhecida internacionalmente como a fabricante do chapéu de Indiana Jones. O visual faroeste do herói, personagem de Harrison Ford na série de filmes sobre o aventureiro, tem o acessório “made in Campinas” como uma de suas marcas. Ford usa o chapéu desde Os Caçadores da Arca Perdida, o primeiro filme, de 1981.
A história da empresa em Campinas começou em 1920, quando Miguel Vicente Cury — prefeito de Campinas nas gestões de 1948 a 1951 e depois de 1960 a 1963 — e o pai dele, Vicente Cury, fixaram residência na cidade e fundaram uma pequena fábrica de chapéus. Antes disso, eles tinham uma oficina de reforma de chapéus, em Mogi Mirim.
No começo, importavam da Europa o pêlo de coelho que era usado na confecção de carapuças de feltro, como são chamados os chapéus semi-acabados, para os modelos masculinos, sociais e de campo.
Segundo a empresa, o fundador e sua própria família foram os responsáveis pelo início da produção, por sinal muito pequena. As dificuldades eram tremendas, mas, empenhando-se com tenacidade e entusiasmo, Miguel, o pai, conseguiu enfrentá-las. Fabricava-se uma dúzia de chapéus — que imediatamente era vendida — e, com o dinheiro, comprava-se os materiais para a fabricação de novos chapéus, e assim por diante, até que a indústria encontrasse bases financeiras mais folgadas. Ainda nos primórdios, no ano de 1924, passaram a integrar a sociedade os irmãos Salim Zakia e José Elias Zakia, primos de Miguel Vicente Cury, com atuação destacada no desenvolvimento da indústria.
No decorrer dos anos, a empresa foi crescendo cada vez mais: aumentando as áreas de construção e adquirindo máquinas mais modernas no gênero de chapéus, provenientes de países europeus e dos Estados Unidos. Para aprimoramento da qualidade dos produtos, contratavam para prestar assistência temporária técnicos europeus e norte-americanos, imprimindo dessa forma maior aperfeiçoamento na técnica de fabricação e possibilitando que conquistasse boa parcela do mercado. No ano de 1975, a empresa deu um grande passo, adquirindo a maquinária e marca Ramenzoni. Passaram, então, a fabricar também chapéus de lã de ovelha e os de pêlo de coelho de ambas as marcas: Cury e Ramenzoni.
Atualmente, a Chapéus Cury fabrica, conforme consta do site da empresa, chapéus de feltro de pêlo de coelho, chapéus de feltro da mistura de pêlo de coelho e lã de ovelha, bonés, boinas, cartolas e chapéus de palha (estilo Panamá). O pêlo de coelho é importado, enquanto que a lã de ovelha tem parte importada e parte nacional.






