Casarões tombados sofrem com abandono no Centro Histórico de Petrópolis
Casarões tombados estão sofrendo com o abandono e com a falta de manutenção em ruas do Centro Histórico de Petrópolis. A poucos metros dos jardins do Museu Imperial, na Rua da Imperatriz, chama atenção o chalé Prefeito Paula Buarque. Desde que deixou de abrigar uma agência da Caixa Econômica Federal em 2005, o local convive com o abandono. Atrás de tapumes, instalados no local no ano passado, a degradação avança. Desde 2002, uma ação foi instaurada na 2ª Vara Federal, pela promotoria da República em Petrópolis, e o caso vem sendo acompanhado pela Justiça. Em junho do ano passado um acordo chegou a ser formalizado entre a CEF, que é responsável pelo prédio, e a prefeitura de Petrópolis. Na ocasião, a prefeitura se comprometeu a realizar a restauração do imóvel, o que não foi feito pelo então prefeito Rubens Bomtempo.
De acordo com assessoria de Comunicação da Prefeitura, a administração do prefeito Paulo Mustrangi não tem conhecimento sobre qualquer acordo para a restauração do imóvel que pertence à Caixa Econômica. Segundo a diretora do escritório técnico do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Laura Bahia, um projeto apresentado pela CEF chegou a ser aprovado e atualmente o caso vem sendo acompanhado pelo Ministério Público Federal.
A Caixa Econômica informou que no momento está sendo feita a finalização da instrução para licitação. A expectativa é de que a licitação seja feita em 90 dias. Com isso, a previsão é de que as obras de restauração no casarão, com base no projeto já aprovado pelo Iphan, comecem antes do fim deste ano. Esta semana foi feita a contratação de uma empresa de limpeza para fazer a manutenção do jardim, que atualmente está tomado pelo mato. Segundo a Caixa, a expectativa é de que até o fim desta semana a limpeza da área externa seja providenciada.
Localizado na Praça da Confluência, o Casarão do Barão de Mauá também convive com a degradação. Apesar de alugado há anos pela prefeitura, o imponente prédio, construído entre 1852 e 1854 nas proximidades do também tombado Palácio de Cristal, sofre com a falta de manutenção. Nas paredes, há marcas de infiltrações e o mato cresce na fachada.
A degradação do palácio também é alvo de um inquérito civil público instaurado pelo Ministério Público Federal em 2005 para cobrar providências quanto à recuperação do imóvel. A assessoria de comunicação da prefeitura informou que atualmente na Casa Barão de Mauá funciona a Secretaria de Planejamento, e o prédio não está aberto à visitação turística. Recentemente, uma avaliação começou a ser realizada pelo secretário de Planejamento Agnaldo Goivinho para que medidas mais adequadas possam ser tomadas em relação ao imóvel, que é alugado e foi encontrado pelo atual governo em péssimo estado de conservação.
Na Praça da Liberdade, via de acesso à Casa de Santos Dumont, o casarão de número 260, se destaca em meio aos prédios. Também com o estado de preservação da fachada precário, o imóvel atrai a atenção de turistas.
- Eles passam por aqui, às vezes até tiram fotos, mas comentam que o casarão está muito feio. Como petropolitano eu me sinto envergonhado em ver um casarão nessas condições em pleno Centro Histórico da cidade – disse o taxista Leandro Afonso.
A presidente da Associação de Moradores e Amigos do Centro Histórico, Myriam Born, avalia que é difícil encontrar uma solução para o abandono e da falta de cuidados com os bens tombados de Petrópolis.
- Não se percebe na sociedade e no poder público da cidade que haja uma consciência sobre a importância da conservação desse patrimônio, que é a identidade dessa cidade. Petrópolis tem um patrimônio de importância para a memória nacional, são as marcas do Império – disse, ressaltando que a sociedade civil organizada tem a função de fazer este alerta.
Na Avenida Barão do Rio Branco, dois prédios também tombados convivem com a mesma realidade: a Casa do Barão do Rio Branco, que e o Seminário São Vicente de Paulo. A casa de veraneio de José Maria da Silva Paranhos Jr, o Barão do Rio Branco, é tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Artístico e Cultural. No local foi assinado, em 17 de novembro de 1903, o Tratado de Petrópolis, que uniu o território do Acre ao Brasil.
O imóvel hoje tem paredes e teto com marcas de infiltrações. A fachada e os jardins estão mal conservados. Ali funciona atualmente a sede da Coordenadoria Regional Serrana III, da Secretaria estadual de Educação. A coordenadora Nereida Vinhais, informou que o prédio é alugado pela Companhia Petropolitana de Desenvolvimento e que recentemente foi pedido pela prefeitura e com isso será desocupado. Segundo ela, a manutenção é de responsabilidade da Secretaria de Educação, mas no entanto a coordenadoria não tem recursos para arcar com o trabalho de restauração.
- A verba que recebemos é pequena. Temos feito o possível para manter o local habitável. Fizemos a pintura e pequenos reparos, mas aquele é um prédio tombado, tudo que se pensa em fazer ali envolve restauração – disse.
Também na Avenida Barão do Rio Branco, as condições precárias do conjunto arquitetônico do Seminário São Vicente de Paulo, prédio tombado pelo Iphan, se destacam na paisagem. O prédio construído no século XIX, apresenta sinais de degradação na fachada. O local guarda imagens francesas e uma biblioteca com 15 mil volumes que datam de 1800 e 1900, um acervo importante de livros em língua francesa, além de móveis históricos. A construção precisa de reparos no madeiramento das varandas e também na pintura da fachada. Até dezembro do ano passado, o local abrigava seminaristas. Hoje o espaço é utilizado apenas pelas pastorais carcerária e vicentina e por padres.
De acordo com o coordenador do seminário, padre Geraldo Mol, a parte interna foi recuperada e exigiu um investimento de cerca de R$ 1 milhão. Sem dispor de recursos para executar o restante da restauração, o seminário busca parcerias para concluir os trababalhos.
- Estamos buscando parcerias, doações e convênios para que possamos dar continuidade nas obras, pois esse prédio é tombado. O trabalho de restauração custa caro. Fizemos até agora a primeira parte (o interior do prédio da frente), a restauração demorou quase um ano para ficar pronta e foram investidos quase R$ 1 milhão – disse o padre. Ele informou que os interessados em contribuir com a restauração podem entrar em contato com o seminário pelo telefone (24) 2242-2723.







