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Bebida deve virar patrimônio nacional

NotíciasRio Grande do Sul • 19 de setembro de 2009 por Silvana Losekann

O Núcleo de Cultura de Venâncio Aires (Nucva) pretende registrar o chimarrão como um patrimônio nacional junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Até o final do ano, todo o resultado das pesquisas para o projeto Patrimônio Imaterial do Chimarrão: O Chá da Amizade deverá ser encaminhado para o Departamento de Patrimônio Imaterial do Iphan. A proposta tem a aprovação do Ministério da Cultura e o patrocínio da Petrobras.

Os estudos tiveram início há dois anos e atualmente envolvem uma equipe de cinco pesquisadores ligados ao Nucva. As fases de realização do projeto, segundo a coordenadora do projeto, Angelita da Rosa, constituem-se na reconstrução histórica acerca da importância da produção ervateira para Venâncio Aires e para o Estado, os processos de beneficiamento da erva-mate e as formas variadas de confecção do chimarrão. O material incluirá DVDs, CDs interativos, livretos e banners educativos para divulgação.

Angelita afirma que não existe previsão de conclusão da análise pela comissão do Iphan, pois o trabalho envolve enfoques antropológicos, biológicos, farmacológicos, históricos, entre outros aspectos. O município de Venâncio Aires é conhecido como Capital Nacional do Chimarrão, com 4 mil hectares de erva-mate. Apesar de o fumo ser responsável por 70% da economia, a erva e o hábito do chimarrão são os principais destaques da cidade. A principal bebida dos gaúchos encontra na Festa Nacional do Chimarrão (Fenachim) a sua maior divulgação.

Dentre os bens já registrados como patrimônio imaterial do País destacam-se o Ofício das Paneleiras de Goiabeiras, Modo de Fazer Viola de Concho, Feira de Caruaru, Frevo e Samba de Roda do Recôncavo Baiano. O registro de bens culturais foi instituído pelo decreto 3.551, de 4 agosto de 2000.

Escola difunde o chimarrão pelos quatro cantos

Uma escola com aulas em um ônibus ou em pequenos galpões crioulos improvisados em feiras, supermercados ou outros estabelecimentos percorre os quatro cantos do Brasil e até de outros países, para difundir um dos principais hábitos dos gaúchos. O Instituto Escola do Chimarrão, de Venâncio Aires, possui a agenda lotada para a participação em eventos durante a Semana Farroupilha até 2013. Durante toda esta semana as atividades se concentraram em Porto Alegre.

Na segunda-feira, a escola participou do Fórum Legislativo da Copa do Mundo de Futebol, na Assembleia Legislativa. Na terça e na quarta-feira, o ônibus esteve no Acampamento Farroupilha, no Parque da Harmonia. Nessa sexta-feira houve a montagem de um ambiente característico em forma de minigalpão no Supermercado Carrefour, em Canoas, e neste sábado e domingo o público poderá conhecer as formas de preparo da bebida na unidade da mesma rede de lojas da Rua Bento Gonçalves, na capital.

Nascida de um projeto cultural desenvolvido por uma indústria ervateira em 1998, a Escola do Chimarrão ganhou notoriedade e hoje se configura como uma das entidades que mais divulgam o nome de Venâncio Aires no Brasil. Localizada em Linha Travessa, no interior do município, a instituição foi registrada em 2004 como Organização Não Governamental (ONG) na Secretaria Estadual de Cultura, na condição de promotora cultural, e assumiu a atual denominação. A entidade conta com um ônibus doado pela Polícia Federal e transformado em uma escola itinerante.

Além das 36 formas diferentes de cevar um mate, a entidade propaga a importância do hábito para a socialização das pessoas e para a saúde. A escola realiza atividades de divulgação do hábito em escolas de ensino público e privado e em eventos em diversos municípios do País. No ano passado, 279 mil pessoas tiveram acesso direto às aulas e 3 milhões de pessoas viram e observaram o ônibus nos eventos onde houve a participação. Os números surpreendem até mesmo o diretor executivo, Pedro José Schwengber.

Diferencial

O diretor observa que a 17ª edição da Expotchê, em Brasília, no início de junho, teve a visita de 220 mil pessoas e a escola foi um dos diferenciais entre as atividades do Rio Grande do Sul. Durante o evento, houve o registro de visitantes de 76 cidades gaúchas diferentes, além de 24 estados e 15 países. Mas Schwengber observa que nem todas as pessoas deixam o seu nome no livro de anotações, por isso o número de visitantes é muito maior. Apenas em 2010, a escola possui agendamento para a participação em 26 eventos. Nas exposições, o público conhece as diferentes formas de preparo, com destaque para o formato que fica pronto em apenas 11 segundos.

Periodicamente, durante alguns dias, a escola itinerante marca presença na cidade de São Paulo. O diretor executivo do instituto, Pedro José Schwengber, representa os gaúchos na capital paulista e espalha a cultura do mate na Churrascaria Vento Haragano. Em outubro de 2005, a entidade integrou um grupo de gaúchos que viajou pela Europa com o propósito de divulgar os usos e costumes do Rio Grande do Sul. Este ano, Schwengber viajou durante 50 dias por diversos estados brasileiros e até na Argentina, para difundir a cultura do chimarrão.

Princípios

O desenvolvimento da escola se fundamenta em quatro princípios básicos: o resgate da cultura da erva-mate, baseado na temática dos 500 anos do chimarrão; o aspecto social do hábito, que funciona como uma “magia” que integra as pessoas; a difusão da erva-mate como uma planta que oferece diversas propriedades medicinais benéficas ao ser humano e, ainda, o mate como uma obra de arte, apresentada para o consumo em 36 modelos diferentes. Além disso, o contato com jovens e crianças, que frequentemente visitam a instituição em busca de informação, fez com que a equipe de trabalho desenvolvesse um projeto de orientação contra o uso de drogas. Na localidade onde está a sede da escola, os visitantes podem conhecer uma indústria ervateira, aspectos históricos e medicinais sobre a erva-mate e o chimarrão, vídeo sobre a erva-mate e o chimarrão, apresentações artísticas, os 36 tipos da bebida e dinâmica de prevenção ao uso de drogas. Os contatos podem ser pelo telefone (51) 9214 6562 ou o e-mail pedro@escoladochimarrao.com.br.

Os 36 tipos

Saúde (elaborado com chás), Toca de tatu, Copa, Furo alto, China pobre (cevado com pouca erva), Da praia (socado para não voar erva), Do carro (com capa para não virar), Repartido, Quadrado, Triângulo, Tapado, Ferradura, Invertido, Do prego, Meia-lua, Engrenagem, Estrela, Ninho, Apaixonado, Escavado, Vulcão, Roda de carreta (no qual a bomba faz o papel do eixo), Flor, Formigueiro, Primavera, Homenagem (traz a inscrição Fenachim), Mate amargo, Mate doce, Achego, Tradicional, De canhoto, Tradicional sem topete, Tererê (feito em cuia de taquara, madeira ou guampa), Poço, Ponte, Gaúcho macho (servido através da bomba).

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Fonte: Gazeta do Sul

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