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Oficinas teóricas: perspectivas da contemporaneidade

21 de novembro de 2008 por Silvana Losekann

Semana de Conservação de Bens Culturais no Museu Victor Meirelles
Oficinas teóricas: perspectivas da contemporaneidade
15 a 18 de dezembro de 2008, das 14 às 18 horas

O Museu Victor Meirelles irá promover em dezembro a “Semana de Conservação de Bens Culturais”, composta por um conjunto de oficinas teóricas gratuitas que têm como objetivo principal oferecer oportunidades de reflexão e de formação sobre a preservação e a conservação do patrimônio cultural numa perspectiva contemporânea. Esta Semana será realizada no período de 15 a 18 de dezembro de 2008, das 14h às 18h e contará com a participação de autoridades em conservação e restauração da Espanha e do Brasil, com atuações destacadas e trabalhos reconhecidamente importantes.

Programação

Dia 15 de dezembro de 2008, das 14 às 18 horas

Oficina: Os métodos científicos aplicados a análises e estudos de bens culturais
Ministrante: Maria Dolores Gayo Garcia, licenciada em Ciências Químicas com especialização em Química Orgânica pela Universidade Complutense de Madrid. Vinculada desde 1985 ao Ministério da Cultura da Espanha trabalhou no Museu Nacional de Ciência e Tecnologia, no Instituto do Patrimônio Histórico Espanhol e desde 2004 é responsável pelo Laboratório de Análises do Departamento de Restauração do Museo Nacional del Prado. Especializada em técnicas de análises para o estudo de bens culturais como microscopia óptica, microscopia eletrônica (espectrometria por dispersão de energias de raios X e fluorescência de RX, cromatografia de gases), espectrometria de massas, cromatografia em capa fina, cromatografia líquida de alta resolução. Realizou cursos sobre diferentes materiais relacionados com a conservação e a restauração de bens culturais. Participou de congressos com diversos trabalhos, como “A zurita identificada nas pinturas murais nos afrescos de Goya”. É autora de diversas publicações sobre técnicas de análises aplicadas aos estudos de bens culturais, como “Análises químicas das obras de Goya da Fundação Lázaro Galdiano de Madri”.

Dia 16 de dezembro de 2008, das 14 às 18 horas

Oficina: Microclimas para obras bidimensionais
Ministrante: Franciza Toledo, arquiteta/conservadora, graduada em Arquitetura pela Universidade Federal de Pernambuco com especialização em Conservação de Pinturas e Esculturas pelo Centro de Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (CECOR/EBA/UFMG), PhD em Conservação e Museologia, pelo Institute of Archaeology, University of London, onde desenvolveu tese sobre controle ambiental para museus. É referência na área por sua pesquisa sobre estratégias de conservação de acervos em museus quentes e úmidos bem como de sistemas alternativos de controle ambiental em condições tropicais. Através da Conservare, desenvolve projetos, artigos para importantes publicações nacionais e internacionais, participação em congressos, seminários e simpósios assim como a consultoria à projetos para diversas instituições públicas e privadas no Brasil e no Exterior.

Dia 17 de dezembro de 2008, das 14 às 18 horas

Oficina: O Departamento de Restauração do Museu Nacional Thyssen-Bornemisza:  Novas tecnologias aplicadas a conservação, transporte de obras de arte, limpeza de pinturas e exposições temporárias
Ministrante: Ubaldo Sedano Espín, graduado pela Escola Superior de Conservação e Restauração Madrid, Espanha, mestre em conservação preventiva e exposições pela UCM Faculdade de BBAA (Barcelona), é especialista em segurança de museus e edifícios de patrimônio histórico. Atuou como coordenador e professor nos Cursos de Mestrado em Museologia da Universidad de Valladolid (Fundación Carolina), do Centro de Estudios Universitários, CEU e Universidad de Granada; Do Curso de Mestrado em Conservação Preventiva (UCM) na Faculdade de Belas Artes. Foi também professor e coordenador do curso de Novas Tecnologias para conservação e transporte de obras de arte em Madri e Novas Tecnologias Aplicadas a Restauração e Conservação de Suportes Têxteis, na Faculdade de BBAA (Barcelona), entre outros. Realizou atividades como docente em Universidades da Espanha e em convênios em diferentes países como Equador, Peru e Argentina, para a formação de especialistas em diferentes campos da conservação. É autor de diversas publicações entre elas “Apuntes sobre La Restauración de las Meninas”, em 1986 e “Peter Paul Rubens: Restauration Treatment of two Master Paintings Tecnical Estudy (1609-1623)”, em 2005. Participou de congressos com diversos trabalhos na Europa e América Latina. Atualmente é Diretor do Departamento de Restauração do Museo Nacional Thyssen-Bornemisza do Ministério da Cultura da Espanha.

Dia 18 de dezembro de 2008, das 14 às 18 horas

Oficina: O Departamento de Restauração do Museu Nacional do Prado: Tratamentos de diferentes suportes modernos e antigos de pintura sobre tela ou madeira, escultura e papel
Ministrante: Pilar Sedano, diplomada pela Escola Superior de Restauração, Madrid, Espanha. Durante 15 anos realizou, no ICRBC, trabalhos de conservação e dirigiu projetos de restauração, como os tratamentos das obras de Berruguete, Juan Juanes, Zurbarán, Morales, entre outros. De 1990 até 2003 foi Diretora do Departamento de Conservação-Restauração do Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia, na Espanha, onde foi responsável pela implantação do Departamento. Realizou tratamentos de conservação e restauração em obras de artistas como Dalí, Picasso, Miró, Millares, Tapies, entre outros. É vice-presidente do ICOM – Grupo Espanhol, participando de inúmeros congressos nacionais e internacionais. Atuou como professora no mestrado de Museologia na Universidade Católica de Portugal (2005) e na organização do curso sobre tratamento de Suportes no Museu Nacional de Belas Artes de Havana (Cuba), em 2006, e em diversas outras instituições. Possui vários trabalhos publicados, artigos em catálogos de exposições e artigo sobre conservação preventiva em revistas. Realizou, ainda, diversos projetos de investigação como o estudo analítico, radiográfico e refletográfico dos materiais presentes na obra “Dalí Jovem” em colaboração com a Fundación Gala-Salvador Dalí, de Figueres, da obra de Oscar Dominguez, entre outros estudos sobre a deterioração biológica nas obras contemporâneas em colaboração com o Instituto de Patrimônio Histórico Espanhol. Desde 2003 é Diretora do Departamento de Restauração do Museo Nacional del Prado do Ministério da Cultura da Espanha.

Público-alvo: voltada para conservadores, restauradores, museólogos, estudantes de artes visuais, museologia,  professores, educadores, artistas e ao público em geral interessado em artes, conservação e preservação do patrimônio cultural. Os certificados serão emitidos apenas para os inscritos que obtiverem 100% de freqüência nas oficinas.

Pré-inscrição até 09 de dezembro de 2008.

A oficina é gratuita, mas as vagas são limitadas. Interessados em participar devem encaminhar até o dia 09 de dezembro de 2008 seu pedido de inscrição com os dados abaixo para museu.victor.meirelles@iphan.gov.br.
Nome completo:
Telefone:
E-mail:
Formação:
Área de atuação profissional:
Instituição:
Por que tem interesse em participar desta oficina?
É membro da Associação de Amigos do Museu Victor Meirelles?

Pedimos aos inscritos que tiverem seu pedido de inscrição deferido e não puderem comparecer à oficina que avisem o quanto antes para que possamos disponibilizar as vagas para outros interessados.

Fonte: Museu Victor Meirelles

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Reforma do templo pode motivar ação na Justiça

21 de novembro de 2008 por Silvana Losekann

A polêmica que envolve o tombamento da Capela Positivista, na Avenida João Pessoa, em Porto Alegre, pode parar na Justiça. Isso porque o guardião da capela, Afranio Pedro Capelli, opõe-se ao tombamento e disse que, se for preciso, os positivistas irão à Justiça para manter a autonomia sobre o lugar.

– Há um erro de concepção do tombamento. Primeiro, porque religião é assunto de foro íntimo. Segundo, porque somos a favor da separação entre Estado e religião, por isso, não queremos dinheiro de impostos aqui, impostos que também são recolhidos de outras igrejas – diz.

A idéia de tombar o prédio como patrimônio histórico do Estado partiu da Associação dos Amigos da Capela Positivista de Porto Alegre (AACP-POA), criada especialmente para isso. Por enquanto, o projeto está nas mãos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphae), que finaliza a pesquisa sobre o imóvel. A tendência é que o Iphae seja favorável ao tombamento. Em seguida, a papelada será encaminhada à assessoria jurídica da Secretaria de Estado da Cultura, que continuará os trâmites oficiais.

Fonte: Zero Hora

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Comunidades quilombolas trocam experiências

21 de novembro de 2008 por Silvana Losekann

Extensionistas rurais e representantes de comunidades quilombolas de sete municípios da Metade Sul do Estado atendidas pela Emater participaram de atividades, ontem, na região Ibicuí da Armada, a 53 quilômetros de Livramento, na Fronteira-Oeste. No Rincão dos Negros, eles conheceram o trabalho desenvolvido por 30 famílias de quilombolas que dependem da atividade primária e do artesanato. Depois de participar de palestra na Escola Municipal Dr. Rafael Vieira da Cunha, os visitantes estiveram na propriedade de Marcelina Vaqueiro, 85 anos, que se dedica à criação de ovelhas. A produção de carne ovina abastece a família e parte da lã é colocada entre os quilombolas dos arredores, que trabalham na confecção de xergões, palas, cobertores e até peças de decoração.

Para a artesã Maria Luci Vaqueiro, a maior dificuldade enfrentada no trabalho é a lavagem da lã que, precisou ser terceirizada em razão da falta de água em abundância. Outro problema é a falta de espaço para colocação dos produtos no mercado consumidor. O artesanato consegue manter famílias remanescentes da localidade, que sofre os efeitos do êxodo rural decorrente da inexistência de oportunidades de trabalho.

Fonte: Correio do Povo

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Estações ferroviárias em Tiradentes e Diamantina serão restauradas

21 de novembro de 2008 por Silvana Losekann

Duas jóias do patrimônio ferroviário de Minas entram nos trilhos da preservação. A partir de termos de ajustamento de conduta (TACs) firmados entre o Ministério Público Federal (MPF) e outras instituições, as estações de Tiradentes, no Campo das Vertentes, e de Diamantina, no Vale do Jequitinhonha, ambas tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), vão ser restauradas. Para garantir a integridade da primeira, datada de 1881, a procuradora da República Zani Cajueiro assinou o TAC com a Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), concessionária desde 2001 do trecho de transporte de passageiros entre São João del-Rei e Tiradentes. O estado é o primeiro no país a selar esse tipo de acordo para conservar o acervo ferroviário.

A FCA se compromete a restaurar a cobertura da plataforma da estação de Tiradentes, que está muito danificada. Nesse trabalho, serão conservados os detalhes originais, com substituição de peças deterioradas ou perdidas (telhas, lambrequins etc.) e feitos outros reparos, como infiltrações nas paredes, troca de tubulação hidráulica, entre outros.

Bens

A FCA vai entregar o projeto de restauro para análise do Iphan até 6 de dezembro. “Um dos aspectos mais importantes desse acordo”, afirmou Zani Cajueiro, “é que o imóvel terá uso exclusivo, funcionando como estação ferroviária, e não como local de festas, o que vinha degradando o prédio.” Zani destacou que “o TAC é apenas o início de uma série de ajustes necessários, pelos quais deverão passar as cessionárias de bens da extinta Rede Ferroviária Federal (RFFSA), depois que entrou em vigor a Lei 11.483/2007”. Pela lei, os bens da RFFSA, com valor cultural e histórico, ficam sob a gestão do Iphan, que opina sobre qualquer intervenção no imóvel.

Em Diamantina, o TAC foi firmado entre o MPF e a prefeitura, com apoio do Ministério Público Estadual, Ministério do Planejamento e Secretaria de Patrimônio da União. A administração local vai se encarregar da recuperação da Estação Ferroviária de Conselheiro Mata. O imóvel de grande beleza arquitetônica, inaugurado em 1911, está em estado lastimável de conservação, segundo o MPF. A prefeitura vai fazer as medidas emergenciais e apresentar o projeto de restauro.

Furto em Bambuí

Onze pessoas foram presas em flagrante na madrugada de ontem em Bambuí, na Região Centro-Oeste de Minas, furtando trilhos da linha férrea. O material seria levado para Itaúna. Segundo a Polícia Militar, outros cinco furtos semelhantes foram registrados na cidade este ano. A PM foi acionada por funcionários da FCA, que perceberam movimentação suspeita no local. Os militares encontraram um caminhão e dois carros, que serviriam para transportar os trilhos. As peças eram retiradas com maçarico e botijão de gás. No depoimento, um dos acusados disse que o grupo receberia R$ 3 mil para levar o material até Itaúna. Todos os suspeitos estão detidos e à disposição da Justiça.

Fonte: Portal Uai

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Oficina teórica: A obra de Arthur Bispo do Rosário e o conceito de Museu na contemporaneidade

20 de novembro de 2008 por Silvana Losekann

Dias 02 e 03 de dezembro de 2008, das 14h às 17h - Sala Multiuso do Museu Victor Meirelles.

O Museu Victor Meirelles, dando continuidade a série de oficinas teóricas que buscam aprimorar os conhecimentos de artistas, estudantes, profissionais da museologia e interessados em artes visuais, oferecerá, nos dias 02 e 03 de dezembro, das 14 às 17 horas, a oficina “A obra de Arthur Bispo do Rosário e o conceito de Museu na contemporaneidade”. O objetivo será abordar a noção de museus de arte no cenário contemporâneo, trazendo como estudo de caso, a obra de Arthur Bispo do Rosário, um dos nomes mais importantes da arte contemporânea brasileira, e o Museu que leva o seu nome, localizado no interior da Colônia Juliano Moreira, no Rio de Janeiro.

A sociedade disciplinar organizou instituições tais como a universidade, o asilo, o hospital, a prisão e o museu. O museu é a instituição disciplinar que se organiza em torno da memória: memória do Estado nacional, memória do saber científico, memória do valor cultural. Como todas as instituições disciplinares, o museu é uma instituição de afirmação da identidade. O museu histórico ajudou na consolidação do Estado nacional burguês, ou seja, da identidade nacional; o museu das ciências deu substância ao mito da supremacia da identidade do homem europeu – branco, racionalista, cristão – e da história enquanto processo linear, legitimando a exclusão da diferença e do periférico – negro, índio, não-europeu, não urbano, não racional (entre esses, os loucos); o museu de belas artes configurou a identidade da arte da corte como a da Arte. No campo artístico, a tensão promovida pelas vanguardas levou à inclusão das artes acadêmicas no museu, ou seja, da arte da representação ou da arte clássica de outros segmentos artísticos – daí o museu passou a abrigar a arte moderna e a arte contemporânea. Um museu de arte moderna ou um museu de arte contemporânea permanecem nos limites de uma instituição disciplinar. O Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea luta pela afirmação desta diferença, promovendo através da criação artística a afirmação da singularidade e da cidadania de cada um desses criadores. Circulando pelo espaço liso da sociedade de controle, o museu promove através de suas ações o agenciamento de redes de parceiros interessados na promoção da cidadania dos usuários dos serviços de saúde mental (Manifesto do Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea: O Museu e a Dobra na Sociedade de Controle).

Sobre o ministrante: Ricardo Aquino é Diretor do Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea. Cursa o doutorado em Memória Social, na UniRIO. Possui graduação em Medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1977) e mestrado em Memória Social pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (2004). Psiquiatra e Psicanalista.

Público-alvo: esta oficina é voltada para estudantes e professores de artes visuais, museologia, psicologia, artistas, educadores e ao público em geral. Os certificados serão emitidos apenas para os inscritos que obtiverem 100% de freqüência na oficina.

Para esta oficina serão disponibilizadas 30 vagas.

Pré-inscrição até 27 de novembro de 2008.

A oficina é gratuita, mas as vagas são limitadas. Interessados em participar devem encaminhar até o dia 27 de novembro de 2008 seu pedido de inscrição com os dados abaixo para museu.victor.meirelles@iphan.gov.br. O resultado da seleção será divulgado por e-mail no dia 28 de novembro.

Nome da oficina:
Nome completo:
Telefone:
E-mail:
Formação:
Área de atuação profissional:
Instituição:
Por que tem interesse em participar desta oficina?
É membro da Associação de Amigos do Museu Victor Meirelles?

Pedimos aos inscritos que tiverem seu pedido de inscrição deferido e não puderem comparecer à oficina que avisem o quanto antes para que possamos disponibilizar as vagas para outros interessados.

Fonte: Museu Victor Meirelles

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De Zumbi aos Lanceiros Negros: a luta pela liberdade

20 de novembro de 2008 por Silvana Losekann

No mês em que se comemora o Dia da Consciência Negra,  o Rio Grande do Sul lembra a contribuição dos negros gaúchos na Revolução Farroupilha  e o episódio do “Massacre de Porongos”, ocorrido 1844, zona rural de Pinheiro Machado,  onde cerca de cem  “lanceiros negros”  foram mortos pelas tropas imperiais.

O Massacre de Porongos é um dos episódios da mais longa guerra civil do brasileira que durou dez anos. Entre 1835 e 1845 houve um movimento de revolta promovida pelos ricos estancieiros (grandes fazendeiros criadores de gado) contra o Império brasileiro. Os farroupilhas tinha ideais republicanos e queriam a independência da república Rio-grandense.

Na madrugada de 14 de novembro de 1844 mais de 100 soldados negros, do exército Farroupilha, foram dizimados pelas tropas imperiais, outros 200 foram presos. Como as negociações de paz estavam muito avançadas, eles não usavam armas naquela noite e foram surpreendidos pelas tropas imperiais.

Os soldados-escravos, chamados de “lanceiros negros”, lutavam na guerra em troca da promessa de liberdade. As causas do massacre sempre gerou grande polêmica entre os historiadores. Existe mais de uma versão para o fato.

Numa delas o grupo teria sido surpreendido pela tropa imperial que objetivava somente os soldados negros, que representavam um empecilho à paz, já que o Império não concordava com a libertação dos escravos após o fim da guerra.

Outra é de que houve traição. A tropa imperial teria a conivência de alguns chefes “farrapos” que colaboraram com o ataque, pois queriam apressar as negociações de paz.

A historiadora do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Beatriz Freire, diz que o estopim da polêmica foi a carta escrita pelo Barão Duque de Caxias a um comandante do exército imperial, descoberta anos após o fim da Guerra dos Farrapos.

A carta informava que o grupo havia sido desarmado por seu líder, o General David Canabarro, e dava orientações para atacar o pelotão dos “lanceiros negros” à noite e poupar o comandante.

“No conflito poupe o sangue brasileiro quanto puder, particularmente da gente branca da Província e dos índios, pois bem sabe que essa pobre gente ainda pode ser útil no futuro”, registra o documento.

No livro “Lanceiros Negros” de Geraldo Hasse e Guilherme Kolling a ex-diretora de Proteção ao Patrimônio Afro-brasileiro, da Fundação Cultural Palmares, Bernadete Lopes, afirma que o Cerro de Porongos é tão importante quanto a Serra da Barriga, em Alagoas, onde se deu o Quilombo de Palmares. “São fatos que demonstram a coragem e a determinação do povo negro, desmentindo o comodismo com a escravidão”, disse Bernadete.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) fez um inventário de referências culturais do Massacre de Porongos. Nele foi reunida toda a documentação existente, além dos relatos da memória popular. Com o material foram feitos Cds e Livros que estão sendo distribuídos nas escolas e instituições culturais.

Para Beatriz Freire o episódio é importante para se repensar a presença negra no país e no Rio Grande do Sul, estado considerado de predominância européia, mas que tem na cultura, na história, e na religião uma forte presença negra.O instituto estuda agora a possibilidade de transformar o Cerro dos Porongos em Patrimônio Histórico, Cultural e Paisagístico Nacional.

Fonte: Agência Brasil

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Cine Imperial será restaurado

20 de novembro de 2008 por Silvana Losekann

A restauração do prédio do antigo Cine Teatro Imperial teve o pontapé inicial dado ontem com a assinatura do contrato de execução da obra, pelo superintendente regional da Caixa Econômica Federal, Valdemir Colla, pelo prefeito José Fogaça e pela Construtora e Incorporadora Squadro, que executará a obra. O edifício, localizado na Praça da Alfândega, sediará o Caixa Cultura, que terá espaços para exposições de arte, cafeteria, livraria, museu e salas multimídia.

O projeto prevê a retomada da disposição original do Imperial. O espaço abrigará um teatro para 670 pessoas, com foyer do acesso principal com escadaria, palco com sistema mecânico, plataforma móvel para acesso de cenário ao palco, três camarins e sala de ensaio.

O imóvel pertence ao município, que cedeu à Caixa uma área de terreno livre nos fundos, onde será erguida uma nova edificação. As salas dos cinemas Imperial e Guarani, térreo, mezanino e mais dois pavimentos do prédio de 11 andares ficarão para a Caixa durante 30 anos, em contrapartida à obra. Os demais pavimentos serão ocupados por órgãos vinculados à Secretaria da Cultura.

Fonte: Correio do Povo

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No dia de Zumbi, estatísticas são negativas

20 de novembro de 2008 por Silvana Losekann

Monumento ao líder negro em Alagoas

Elas servem de alerta para a necessidade de políticas públicas. O Rio Grande do Sul tem 132 quilombos, apenas um já titulado.

Pesquisas recentes mostram que, apesar de alguns avanços, a condição dos negros em relação à população branca continua desfavorável no país. As desigualdades são marcadas pela discriminação e pela falta de oportunidades no mercado de trabalho.

As estatísticas traduzem em números as dificuldades vivenciadas no cotidiano por aqueles que representam 49,5% da população brasileira. Além disso, servem de alerta para a necessidade de políticas públicas no Dia da Consciência Negra, comemorado hoje. A data é uma homenagem ao principal símbolo da luta contra a escravidão no país, Zumbi dos Palmares, assassinado no dia 20 de novembro de 1695.

Além de lembrar Zumbi, o dia é voltado à reflexão e à mobilização contra o racismo e pela implementação de ações reparatórias. Com esse tema, acontecerá hoje, às 17h, em Porto Alegre, a II Marcha Estadual Zumbi dos Palmares. Do Largo Glênio Peres, integrantes do movimento gaúcho irão seguir em direção ao Largo Zumbi dos Palmares questionando sobre o que mudou desde a abolição da escravidão no país. As bandeiras defendidas passam pela luta contra o preconceito, ações afirmativas que garantam o acesso à educação e ao mercado de trabalho e o reconhecimento das comunidades quilombolas. A estimativa é que existam no Rio Grande do Sul 132 comunidades desse tipo, mas apenas uma, a da família Silva, em Porto Alegre, já obteve a titulação.

Segundo pesquisa divulgada terça-feira pela Fundação de Economia e Estatística e Dieese, embora os negros correspondessem a 14,1% da população economicamente ativa na região Metropolitana de Porto Alegre em 2007, representavam o maior contingente de desempregados. Eles também estão mais presentes em atividades que exigem menor qualificação e têm rendimentos menores em relação à população branca.
A situação é ainda mais grave entre as mulheres negras, que apresentam maior dificuldade para conseguir uma colocação no mercado de trabalho, conforme a pesquisa.

Fonte: Correio do Povo

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Centro Cultural Casa Cuiabana fechará as portas para revitalização

19 de novembro de 2008 por Silvana Losekann

O Governo do Estado de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Cultura, irá revitalizar o Centro Cultural Casa Cuiabana, localizada na rua General Valle, em Cuiabá. O espaço fechará as portas já no próximo dia 1º de dezembro.

Atendendo orientações da equipe técnica da Coordenadoria de Preservação do Patrimônio, especialistas da Secretaria de Estado de Infra-estrutura (Sinfra) iniciam processo de detalhamento do restauro assim que o imóvel estiver vazio. A estimativa é que as obras durem pelo menos nove meses.

Histórico – A Casa Cuiabana, antiga casa de Deidâmia, constitui um dos mais expressivos exemplares arquitetônicos da Cuiabá do século XVIII, seu tombamento foi feito através da portaria 27/83, constando no Diário Oficial do Estado de 13/06/1983. Sua construção é colonial em taipa e adobe, sobre alicerces em pedra canga.

A antiga Fundação Cultural de Mato Grosso transformou este patrimônio em um espaço de múltiplo uso voltado para a promoção de atividades como o resgate das tradições cuiabanas e outras manifestações artísticas.

Fonte: Jornal Documento

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Cachoeira já teve seu próprio dinheiro

19 de novembro de 2008 por Silvana Losekann

Acervo da família Minssen guarda a última cédula ainda existente da moeda da Intendência.

No momento em que Cachoeira assiste a mais uma transição política, se apresenta um tema recorrente a cada troca de poder: os déficits ou dívidas do Município. Entra governo e sai governo e as discussões são infindáveis. Portanto, nada de novo. Basta retroceder na história para comprovar. O ano era 1899 e a República recém fazia 10 anos. Cachoeira tinha então 32 mil habitantes e a Intendência era governada por David Barcellos, em segundo mandato. O número de eleitores era de somente 2.300 cidadãos, divididos em 19 sessões eleitorais nos sete distritos do município.

A criação de gado em grandes extensões era a base da economia de um município que estava então expandindo-se na agricultura, já cultivando alguns poucos milhares de hectares em sua larga extensão territorial. Devido a problemas diversos, a Charqueada do Paredão, dirigida pelo inglês Henry Pearson, fez o seu menor abatimento de gado desde a sua fundação, em 1878. Foram apenas 2.500 cabeças. Um dos motivos, cogita-se, foi a destruição parcial da ponte do Passo do Jacuí (hoje ainda restam seus pilares junto à ponte férrea e barca do mesmo nome na divisa com Restinga Seca, local de passagem do gado que vinha da região de Vila Rica - atual Júlio de Castilhos), Tupanciretã e Cruz Alta para aqui ser abatido, processado e exportado.

O leito desta obra de arte, que levou mais de 20 anos para ser concluída, foi queimado parcialmente durante a Revolução Federalista de 1893. O motivo pelo qual a municipalidade ou o Estado não refizeram o pouco dano lançando um novo assoalho de grápia e ipê, então abundantes na região, é um mistério até hoje. Dizem alguns pesquisadores que foi influência dos ricos charqueadores de Pelotas para enfraquecer a concorrente do Paredão. Teria havido suborno na Intendência?

O reflexo nas finanças municipais fez-se sentir, apesar das exportações de 46 produtos diferentes atingirem impostos de mais de 17 contos de réis, representados principalmente pelo arroz. Naquele ano, a receita da Intendência foi de mais de 71 contos de réis e a despesa de 76 contos de réis. Este déficit, de quase 5 contos, deve ter assustado o secretário da Fazenda, Carneiro Porto, talvez, até mesmo, já em anos anteriores.

Impresso - Não existem registros, mas em data imprecisa o Município começou a emitir suas próprias notas de dinheiro. Outra suposição, com também probabilidade de alguma validade, teria sido o custo de construção do Teatro Municipal (onde hoje fica a Escola Antônio Vicente da Fontoura), que já tinha as suas principais obras concluídas, apesar de que só seria inaugurado no Natal seguinte. Sem dúvida, foi um investimento pesado para o erário público.

Neste período vigorava na República dos Estados Unidos do Brasil (havia legalmente no meio circulante a grafia do país ora com “s” ora com “z”) o padrão 1.000 réis (que vigorou de outubro de 1833 a outubro de 1942). 1 milhão de réis equivalia a um conto. O lastro era o ouro, valendo originalmente cada 2,5 mil réis o equivalente (garantia do Tesouro) a 1/8 onça de ouro 22 quilates.

O dinheiro cachoeirense

Por que Cachoeira passou a imprimir dinheiro?
Talvez premido por este prejuízo da pecuária, a Intendência passou a emitir as suas próprias notas provavelmente para pagar suas despesas junto ao comércio e fornecedores locais. Talvez, até mesmo, para pagar salários. Não se sabe exatamente quais valores e em quais quantidades foram emitidas. No entanto, é certo que tiveram ótima liquidez, pois só se conhece apenas um exemplar remanescente. Por dedução, o Município deve ter absorvido todas as emitidas, ou seja, dado o devido lastro e aceite à sua circulação e depois as destruído, pois em 1900 o caixa público voltou a operar no azul.

Onde está o único exemplar existente da nota cachoeirense?
O exemplar conhecido faz parte da coleção da família Minssen. A nota tem 5,5 por 9,5 centímetros e tem as cores preto, branco e verde. Na frente, os dizeres “Intendência Municipal da Cachoeira. Vale este ao portador a quantia de 200 réis, valor recebido”. Pelo “thesoureiro” assina Gregorio Fonseca. Mais abaixo, a assinatura de Carneiro Porto. Na lateral, outra assinatura (indecifrável). Bem acima, também a bico de pena, a data de 18 de abril de 1899, provável conferência e saída da tesouraria. No verso, o número 200 centrado, com filigranas e arabescos. Outra constatação interessante é a sua numeração. Na última nota conhecida, o número é 7.308. A impressão foi feita pela Casa Lit. F. Wiegemann e Filho, de Porto Alegre.

Não há mais registros sobre esta fase do dinheiro cachoeirense?
Mesmo a pesquisa de Mirian Ritzel e sua equipe do Arquivo Histórico Municipal não conseguiu encontrar mais informações. Simplesmente não há registros desta emissão. Um colecionador de Porto Alegre informou possuir notas oriundas de vários municípios do Estado, todas do final do século XIX, mas nenhuma de Cachoeira apareceu em sua coleção.

Cachoeira em 1899
Mercado
O coração da cidade era o Mercado Público, onde hoje se encontra a Fonte das Águas Dançantes, na Praça José Bonifácio, local de comércio dos produtos granjeiros e da zona colonial, além de açougues e barbearias.

Viação Férrea
Logo adiante, em direção à Viação Férrea, onde hoje fica a Praça Honorato Santos, na Rua 7 de Setembro, os irmãos Pohlmann tinham a sua oficina e eram os grandes inventores da cidade, especialistas em motores e na irrigação mecanizada da lavoura orizícola que firmava-se.

Comércio
No comércio existiam os armazéns de secos e molhados de Isidoro Neves e José Müller & Irmão, onde um saco de arroz valia 25 mil réis e o quilo do feijão 150 réis. Mais adiante, a sapataria de Augusto Zimmer calçava os cachoeirenses. No outro lado da rua, em frente ao mercado, João Gerdau, vindo da Colônia Santo Ângelo (hoje Agudo) tinha o seu negócio que, décadas depois, seria transformado no poderoso grupo siderúrgico do mesmo sobrenome.

Hospedagem
Os viajantes e visitantes hospedavam-se nos hotéis Homrich, Aliança e Vieira, todos na Rua 7.

Água e sabão
Otto Blücher, nas proximidades do atual Parque Municipal de Cultura, fabricava sabão, enquanto a água era buscada pelas famílias diretamente nas grandes veias naturais - as inúmeras sangas - que cortam a cidade ou vendidas em latas pela família Ribeiro.

Imprensa
Desde 1898 circulava o jornal O Governo, de Antunes de Araújo. Em 30 de dezembro de 1899, Henrique Möller Filho assinava um termo de responsabilidade com a Intendência e dava os primeiros passos de O Comércio, que circulou a partir de 1º de janeiro de 1900 até os anos 60.

Música
As bandas, principalmente a Banda Musical União dos Artistas, regida pelo maestro Venâncio Trindade, faziam suas retretas na Praça José Bonifácio.

Festas
As festas do Divino Espírito Santo movimentavam quermesses junto à quadra em que hoje está o Fórum, próximo à igreja. As sociedades alemãs da cidade, no dia 23 de setembro, coligaram-se na Union Cachoeirense Burgerverein.

Fonte: Jornal do Povo

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    Comentários

    Oi, de novo Eu entreguei meu trabalho p/ a profªe ela...Danyelle Silva Sousa

    ocupadoe proprio povo que fotão neste veredores que estão na...jorge

    Nada mais justo do que homenagear meu amigo e companheiro...James Pizarro

    Maravilha para a cidade de Porto Alegre! Precisamos liberar os projetos...Simone Caldas

    Felizmente o projeto foi aprovado. Assim a sociedade poderá tirar...Frederico C.


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